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A trajetória das içarenses medalhistas no Pan-Americano e o projeto onde tudo começou

Retorno do trio para Içara ocorre nesta terça e terá desfile no caminhão dos bombeiros
A trajetória das içarenses medalhistas no Pan-Americano e o projeto onde tudo começou
Foto: Divulgação
Por Thiago Hockmüller Em 12/08/2019 às 03:20

Um esforço recompensado. Uma trajetória coroada e um sonho realizado. Ao superar as colombianas na disputada pela medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima, o trio içarense de karatecas fez história e emocionou milhares de catarinenses e brasileiros. A trajetória de Izabel Cardoso, 23 anos de idade, e das irmãs Carolaini e Sabrina Pereira, de 18 e 21 anos, inspira atletas iniciantes e colegas de modalidade. 

Para se ter uma ideia do feito realizado por elas na última sexta-feira, esta é somente a primeira vez que o Brasil participa da modalidade kata por equipe em um Pan-Americano. E de quebra traz uma medalha, que só não reluz mais que o sorriso de Everaldo Pereira, pai das irmãs e treinador do trio medalhista no Peru. 

Tudo pelo karatê

Everaldo é um daqueles “anônimos” que lutam pela sobrevivência de esportes menos badalados que o futebol. Neste cenário, em nossa região há outros personagens importantes que zelam pelo vôlei, handebol, atletismo, boxe, tênis, xadrez, jiu-jitsu, basquete, skate, surf, o próprio futebol feminino e outros tantos. Mas hoje o dia é de Everaldo. Foi com ele que o trio deu os primeiros passos na modalidade – e ao lado dele rodou o Brasil e o mundo em competições de karatê. 

O pai coruja encabeça a Associação Team Everaldo que conta com apoio da Fundação Municipal de Esportes (FME), da Faculdade Esucri e da empresa Librelato. Além do mais, também está à frente do projeto social Karatê de Inclusão, coordenado pela FME e que conta com mais de 500 alunos e cerca de 160 atletas. 

O Karatê de Inclusão iniciou em 2009 e completa 10 anos de serviços prestados no dia 2 de setembro. E foi neste projeto que a trajetória de Izabel, Carolaini e Sabrina iniciou. "A medalha vem coroar um trabalho que há tempo vem sendo realizado. Elas estão muito felizes. A Carolaini falou uma frase que me marcou muito, ela disse: “imagina uma menina de nove anos ir para a Disney. Eu estou no lugar dos meus sonhos”, revela Everaldo.

 Eu não sabia que tinha tanta gente torcendo por nós. Elas são atletas de ponta e sempre quiseram as levar para competir por outras cidades. Sempre as mantivemos aos trancos e barrancos e esse resultado tem um gosto especial por isso. Agora, os demais alunos cada vez mais vão ter elas como exemplo 

Everaldo Pereira, em entrevista para o Portal Engeplus 
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Confira abaixo o recado deixado pelas catarinenses logo após a conquista: 

Recepção terá desfile em caminhão dos bombeiros 

As medalhistas iniciam nesta segunda-feira a viagem de volta para Içara. Desembarcam em São Paulo ainda hoje, dormem na Capital paulista e na terça embarcam para Florianópolis onde serão aguardadas às 12h30 no Aeroporto Internacional Hercílio Luz.  

Já ao lado de Everaldo, devem chegar em Içara por volta das 16 horas. Primeiramente serão recebidas no Paço Municipal e depois participam de um desfile no caminhão dos bombeiros. O trajeto ainda será definido. 

“É uma alegria muito grande. Graças a Deus essa medalha veio para Içara. É a primeira vez que o Brasil consegue isso em Jogos Pan-Americanos. Não é surpresa, já esperávamos um resultado bom. Desde o ano passado, quando fomos para o Chile e Espanha, e neste ano para a Bolívia e Áustria, fomos aprimorando e planejando os Jogos Pan-Americanos e o Mundial”, conta Everaldo. 

Do projeto, mais campeões e o sonho olímpico 

Mas as conquistas para a Capital do Mel não devem parar por aí. Everaldo explica que Sabrina ainda vislumbra uma participação nos próximos Jogos Olímpicos de Tóquio, que ocorrem em 2020. 

Para isso, um longo desafio precisa ser superado. O primeiro é se tornar a líder do ranking nacional da categoria kumite até 61 quilos. Se isto acontecer, Sabrina se classifica para a seletiva que definirá as quatro melhores karatecas do mundo que integrarão o quadro olímpico. 

No total, são dez vagas por categoria. Os quatro primeiros do ranking mundial se classificam de forma automática. Outras quatro vagas serão definidas na seletiva, uma fica com o país sede e a última fica com o continente que não tiver representante. “Essa modalidade do kata não tem na Olimpíada, mas a Sabrina disputa no kumite até 61 quilos. Como é muito nova, estamos buscando ranking nessa nova categoria. Na categoria anterior, ela era a melhor do mundo, como trocou, agora está em 84º. Acredito no potencial dela, acredito que vai estar no Japão”, declara o treinador. 

A projeção dele é com base em conquistas de Sabrina, que já levou um 5º e um 3º lugar no Mundial, na Espanha e Indonésia respectivamente. Além do mais, ela possui seis medalhas de Sul-Americano, oito medalhas de Pan-Americano de Karatê, uma de Mundial, e agora uma nos Jogos Pan-Americanos. “Eu acho que elas vão trazer muitas conquistas para nós e vão abrir muitas portas para elas e para os projetos“, avalia. 

Além do trio, Everaldo também aposta nas novas gerações que estão sendo lapidadas nos projetos de karatê no município. “Os melhores ainda estão por vir. Tem atletas de 2004 a 2007 que são muito bons. Vamos tirar frutos melhores ainda. Vamos chegar nas Olimpíadas”, projeta o professor.

No kata por equipes, as catarinenses atuam juntas há pelo menos oito anos e possuem ainda títulos dos Jogos Abertos, Joguinhos, Olimpíada Estudantil Catarinense (Olesc), Campeonato Brasileiro, além de títulos internacionais do Pan e Sul-Americano de Karatê e agora o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima.