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Esporte Amador

Corte de gastos

Quanto vale uma medalha de ouro para Criciúma?

20
ABR
2017
| 10h12
10h12
Denis Luciano
Jornalista | Portal Engeplus
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Um salário mínimo? R$ 880? Seria este o valor de uma medalha de ouro em uma disputa parapanamericana? O paratleta João Paulo Gregorine, 17 anos, campeão parapanamericano na natação, título conquistado no mês passado em São Paulo, está entre os desportistas que perderam o auxílio de bolsa atleta conferido pela Fundação Municipal de Esportes de Criciúma (FME).

“Pela lei antiga, quem ganhava uma medalha de ouro tinha direito à bolsa por até três anos, desde que continuasse treinando e disputando. Era o caso, e era justo”, lamenta a mãe do jovem atleta, Maria José de Araújo Santiago Gregorine. Ocorre que João Paulo mora em Içara. “E a lei nova aprovada outro dia excluiu atletas que competem por Criciúma mas moram em outros municípios”, comenta. No ano passado, ele foi um dos condutores da tocha olímpica na passagem pela cidade. O atleta tem perspectivas de alcançar índice às Paralimpíadas na próxima edição dos jogos.

A mãe do nadador esteve com um grupo de parentes e amigos de paratletas em reunião com o presidente da FME, Arleu da Silveira, antes da aprovação da lei. “Foi um encontro promovido pela Judecri em que o secretário explicou os cortes. Eu contei o caso dos meus filhos, que sempre competiram por Criciúma, sempre trouxeram medalhas e troféus para Criciúma mesmo morando em Içara. Ele disse que nada poderia fazer”, contou Maria. Prova do prestígio de João Paulo foi a homenagem que ele recebeu faz poucos dias na Câmara de Vereadores em Criciúma.

Não é fácil ser paratleta

A rotina de João Paulo não é nada simples, e treinar para competir por Criciúma tem suas dificuldades e gastos. Portador da doença congênita mielomeningocele, o jovem faz uso de cadeira de rodas e precisa constantemente de medicamentos e sondas para urinar. “As sondas eu costumo ganhar da prefeitura de Içara, são 150 por mês. Os remédios a gente compra, dá uns R$ 800”, explica a mãe. “E tem mais o investimento para ele continuar atleta, como a escola, o transporte, nutricionista, suplementos. Essa bolsa dava um bom apoio para ele continuar competindo por Criciúma”, reforça.

Além de João Paulo, Maria tem outro filho que competia pela FME e também teve o benefício da bolsa cortado. Felipe Santiago Gregorine, 29 anos, é paraplégico há nove anos, também usa as sondas, tem gastos com medicamentos mas se esforça para representar Criciúma no handebol e tênis. “E tem ainda outros atletas como o Maicon, de Cocal do Sul, que era do handebol e perdeu a bolsa, e o Adriano, do Balneário Rincão, que era do tênis e do handebol, também perdeu, mais um pessoal do atletismo”, cita Maria.

Havia irregularidades

À época dos cortes nos benefícios, o município argumentou aos pais e atletas que havia irregularidades nos repasses, como gente de fora que nem treinava, muito menos competia, mas vinha recebendo. “Que tivessem feito uma revisão de todos então, para deixar aqueles que realmente representavam a cidade, como era o caso dos meus filhos”, avalia a mãe de João Paulo e Felipe.

Mas eles vão continuar no esporte? “Sem dúvida. Faz muito bem para os dois, colabora demais no bem estar deles. Mas lamento que todas as conquistas que eles trouxeram não tenham mais valor para Criciúma”, concluiu.

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