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Do escritório para as máquinas de costura: a missão de Eder Chyzi com a alfaiataria

Criciumense de 26 anos está trabalhando como alfaiate há cinco meses
Do escritório para as máquinas de costura: a missão de Eder Chyzi com a alfaiataria
Foto: Rafaela Custódio / Portal Engeplus
Por Rafaela Custódio Em 06/09/2020 às 10:38

Detalhe. Esta é a palavra-chave do trabalho de Eder Chyzi. Alfaiate há cinco meses, ele produz peças que agregam marca pessoal ao cliente. Uma camisa social, um blazer ou um ajuste podem parecer simples, mas para ele, que costura cada detalhe, está longe de ser simples. Cada trabalho é feito com dedicação e de forma minuciosa.  

Natural de Criciúma, Chyzi tem 26 anos e é casado com Natielli Duminelli há três. Ele atua como alfaiate há cinco meses, ou seja, começou a empreender durante a pandemia do coronavírus. Morador de Forquilhinha, ele atua em sua residência e produz peças exclusivas para seus clientes.

Como tudo começou?

O criciumense é formado em Administração, Marketing e Publicidade pelas Faculdades Esucri. O amor pela costura começou ainda na adolescência e aos poucos a procura pelo melhor estilo cresceu. "Ainda na adolescência comecei a me interessar pelas roupas. Comecei a ter um estilo próprio e sempre fui ligado a moda. Na igreja que frequento comecei a usar terno e peguei minhas calças sociais e minha vó apertou todas. Comecei a usar gravata mais fina, o que há anos não era comum como hoje, e o sentimento pela costura e pela moda foi só aumentando", lembra. 

Chyzi conta que trabalhava em um escritório de posto de combustível, porém acabou sendo demitido. "Um amigo que trabalhava em uma loja de roupa social masculina acabou conversando comigo e iniciei nesta loja, porém fiquei apenas três meses e saí justamente com esse amigo para trabalharmos juntos em outro projeto", revela. 

Nesta nova loja, Chyzi acabou conhecendo Laércio Panatto, que é alfaiate e fazia os ajustes de roupas dos clientes e ele se interessou pelo trabalho. "Como sempre gostei de cuidar das minhas roupas e de ser mais cuidadoso com minhas vestimentas, acabei pedindo para ele me ensinar algumas coisas e ele aceitou", lembra. 

Seis meses de muito aprendizado

Com a vontade de aprender, Chyzi passou seis meses trabalhando com Laércio Panatto buscando aprendizado. "Continuei na loja em que eu trabalhava das 14 às 22 horas e pela manhã ia aprender com o alfaiate. Não recebia nada muitas vezes, mas minha intenção sempre foi aprender e consegui", conta. "Abdiquei de muita coisa para poder aprender a alfaiataria. Errei muito e também aprendi detalhes importantes para que eu pudesse trabalhar sozinho hoje", acrescenta. 

A chegada da pandemia fez com que Chyzi antecipasse alguns sonhos e ele acabou iniciando a carreira de alfaiate. "Eu saí da loja em que trabalhava e fiquei trabalhando com Laércio, porém com a chegada da pandemia, os planos mudaram, pois a mulher dele possui diabetes e com a Covid-19 precisaram se isolar mais", explica. "Fiquei 15 dias em casa e depois comecei a costurar máscaras ainda em março. Mas, sem trabalho, iniciei a pôr em prática tudo que aprendi durante os seis meses de aprendizado", completa. 

Após cinco meses, Chyzi conta que já está produzindo camisas, blazers e realiza ajustes também. "A alfaiataria de modo geral é para homem, porém também faço peças para mulheres conhecidas, mas meu foco é no público masculino", descreve. 

Preço x valor 

Muitos produtos possuem preço, mas não valor. Chyzi explica que seu trabalho possui exclusividade e muito valor agregado. "Meu cliente sai com uma peça única, exclusiva e da maneira que ele deseja. É diferente de você comprar em uma loja, por exemplo. Apesar de um estabelecimento te oferecer diversas opções, a alfaiataria oferta uma peça exclusiva com os detalhes que o cliente escolheu e tem diferença", frisa. 

"É uma profissão escassa e que não se vê mais como antigamente. Muita gente não entende que uma peça exclusiva e feita sob medida não possui preço, e sim, valor"

Eder Chyzi
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Futuro 

O criciumense quer em 2021 abrir uma sala comercial para poder atender seus clientes. "Meu começo está sendo difícil, pois lá atrás minha sogra emprestou a máquina de costura dela, peguei outra da minha vó. Meu lucro é dividido, ou seja, 50% é destinado para as despesas da casa e os outros 50% para investir no empreendimento. Não quero começar uma empresa com diversas dívidas e por isso estou buscando fazer tudo da melhor maneira possível", explica. 

Chyzi mora em Forquilhinha, mas atende também em Criciúma e em outras cidades da região. "Venho em Criciúma toda semana até para entregar as peças, fazer ajustes e comprar material. Tudo ainda é muito novo, mas aos poucos vai dando certo e vou conquistando um mercado que para muitas pessoas ainda é desconhecido". Quer conhecer mais o trabalho de Chyzi? Confira o instagram do empreendimento (clique aqui).