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Abad Wood Art: o artesanato em sua forma mais rústica

Do pai, o artesão Abady Jorge herdou a habilidades de transformar medeira bruta em arte
Abad Wood Art: o artesanato em sua forma mais rústica
Por Lucas Renan Domingos Em 15/05/2020 às 16:39

“Filho de peixe, peixinho é”. O velho ditado popular se encaixa na vida de Abady Jorge. Filho de marceneiro, porém formado em tornearia mecânica, ele aprendeu com o pai a técnica de transformar materiais brutos em arte. Quando pequeno, via o velho Abady Jorge, seu genitor e de quem também herdou o nome, trabalhar a madeira até ela se tornar uma cadeira, uma mesa, um brinquedo infantil, um carrinho de mão ou qualquer outro utensílio caseiro que fosse. O encanto pelas habilidades do pai fez de Jorge um herdeiro da braçal profissão. Mesmo depois dos caminhos da vida lhe apresentarem outras carreiras profissionais, o próprio destino se encarregou, mais tarde, de fazê-lo retornar ao que o pai havia lhe ensinado.

Aos 16 anos fez um curso de torneiro mecânico na Sociedade Criciumense de Auxílio aos Necessitados (SCAN), hoje Bairro da Juventude. Por dois anos atuou na área em que se capacitou e, depois, passou a dedicar a vida ao ramo de vendas. Virou representante comercial de diferentes empresas, até que, em 2011, em uma viagem de lazer, o gosto pelo artesanato voltou a aflorar nos sentimentos de Jorge.

“Eu e minha esposa fizemos uma viagem para o nordeste e lá ela se encantou por luminárias feitas de bambu que vimos para vender. Como era caro, prometi para ela que quando chegasse em casa iria fazer. Ela duvidou, mas fiz, utilizando PVC. Veio uma amiga dela aqui em casa e gostou, dali para frente começamos a aperfeiçoar e trabalhamos por anos com isso”, lembra. Era o primeiro passo para o artesão resolver se dedicar exclusivamente para a arte que dominava.

Mas não foi um pontapé definitivo. As vendas começaram a cair anos depois. “Veio a crise econômica no Brasil e os gastos com decoração passaram a ser uma das últimas opções das pessoas e isso afetou minha renda. Então, retomei a profissão de representante”, acrescenta Jorge.

O encanto pela madeira

Assim seguiu até 2018. Tendo a madeira como o material que mais tem paixão em trabalhar, aceitou o desafio de um amigo e voltou a se dedicar às suas habilidades criativas. “Como ele (o amigo) sabia que eu fazia artesanato, me questionou: ‘Porque você não faz utensílios para alimentos? Uma tábua de carne, por exemplo’. Achei interessante a proposta e fiz. Deu muito certo. Hoje conto com uma linha gourmet, com tábuas de carne, faca, garfo, tudo em madeira, é nosso carro chefe”, conta o artesão.

O negócio voltou a dar certo e foi ficando cada mais consolidado. Criou uma marca para vender seus produtos, a Abad Wood Art. Pelas redes sociais recebe as encomendas e no salão de festa da sua casa montou um espaço onde passa o dia fabricando suas peças. Ao se ver de frente de uma nova crise, a da pandemia do novo coronavírus, que também atingiu em cheio a economia, desta vez, resolveu driblar os problemas e inovar.

“Sigo fazendo os produtos da linha gourmet. Mas também faço peças decorativas de qualquer tipo, desde banco, mesa, cadeira e demais artigos de decoração. O que o cliente pede que é de madeira, eu faço”, garante.

As inspirações surgem ao natural

O artesanato ainda não é a única fonte de renda dele e de Tanelize Vitorino Jorge, sua esposa, que também auxilia o marido com a separação, de produtos, atendimento aos clientes e entrega das mercadorias. “Mas já corresponde a 50% dos nossos ganhos”, calcula o artesão. A proposta, claro, é crescer. E para isso, Jorge aposta na exclusividade e na tendência.

O material utilizado para as criações são madeiras de demolição, reutilizadas ou de reflorestamento. “Não faço peças iguais. São todas exclusivas, únicas. O cliente me pede uma mesa? Elaboro o desenho para ele e desenvolvo. A própria madeira de demolição, por exemplo, já possui características próprias que dão um acabamento único para as peças”, avalia.

A versatilidade de Jorge também tem contribuído para desenvolvimento de parcerias. Na loja de um amigo que fabrica relógios e óculos em madeira, ele expõe suas peças. De um outro conhecido, tornou-se fornecedor de peças de madeira para compor móveis industriais. “A arquitetura tem utilizado muito a madeira nos ambientes e é um ramo que estamos explorando”, diz o empreendedor.

Cada peça por ele criada é pensada e elaborada nos mínimos detalhes. “Algumas levam até três dias para ficarem prontas”, pontua. “Outro serviço que oferecemos e que tem dado certo é o de restauração. Recentemente restaurei uma tábua de um amigo que ele tinha fazia 25 anos. Não usava porque estava velha. O resultado foi incrível. Muitas pessoas nos procuram para as restaurações, elas têm apego por alguns utensílios e não querem jogar fora mesmo estando velha e a gente pega e dá uma nova vida”, destaca Jorge.

E de onde vem tanta criação? Nem mesmo o artesão sabe explicar. “É uma coisa que não sei explicar. Não tenho nenhum molde. O que tenho na mão no momento, eu faço molde. Se tenho uma fita adesiva, uso para fazer uma curva na madeira. Às vezes a pessoa vê uma peça na internet e pede para eu criar. Eu não tenho o molde daquilo. Ou eu crio uma parecida, tento copiar, já que é o pedido do cliente, ou faço uma com a mesma funcionalidade, mas criação minha”, complementa.

Os resultados das criações do artesão podem ser conhecidos pelo Instagram da Abad Wood Ard. As encomendas são aceitas pelo número (48) 99931-0266 (WhatsApp), ou pelo e-mail  abadwoodart@gmail.com.