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Paper Toy e a trajetória de Geovana Martinello em uma década de arte

Em julho de 2009, primeiro toy era produzido pela artesã
Paper Toy e a trajetória de Geovana Martinello em uma década de arte
Foto: Heitor Carvalho
Por Heitor Carvalho Em 24/07/2019 às 15:00

A união do lúdico de um brinquedo com a personalidade e exclusividade de um trabalho artístico, tudo isso feito com papel, isso é paper toy. Em julho de 2009, Geovana Martinello criava seu primeiro toy e hoje, passados 10 anos se prepara para dar seu primeiro curso e participar da primeira feira como expositora. 

Ao longo dessa uma década, Geovana passou dos 20 para os 30 anos, o paper toy passou de hobby para trabalho. O único toy criado hoje tem a companhia de mais de 6 mil peças espalhadas pelo mundo - para quem pensa que é pouco, empilhados somam de mais de 600m.

“Quando comecei eu não imaginei que depois de 10 anos ainda estaria trabalhando com paper toy. Se antes eu tinha dúvida, hoje eu tenho certeza que esse será meu trabalho para sempre”, conta a técnica em design e graduada em Publicidade e Propaganda.

Na opinião da artista um dos motivos da sua consolidação no mercado de paper toy, foi o seu desenvolvimento profissional. “Os feedbacks dos meus clientes foram refinando meu traço e junto disso pesquisei, estudei, pratiquei e acompanhei também o avanço tecnológico, que hoje me possibilita mais ferramentas de trabalho”.

Mas o ingrediente que acompanha Geovana desde da criação do primeiro toy é só um, o carinho. “Eu faço com carinho, sempre fiz, afinal quem se descreve pra mim ou descreve alguém que gosta, está confiando e muito em mim”, explica a designer, que lembra de um dos seus trabalhos mais marcantes. “Uma filha perdeu a mãe e queria que ela estivesse presente no momento do seu casamento, então me pediu um toy da mãe dela”, lembra.

Os mais pedidos são casais de namorados, noivos e famílias, mas esses pedidos têm suas particularidades. “Tem casal que pede para ser desenhado exatamente como vão casar, já outros pedem vestidos com a camisa do time de coração, vestidos de jeca e assim vai, sem falar nos animais de estimação que acompanham os donos. Faço muito gato e cachorro, mas já teve passarinho, coelho e até jacaré”, afirma Geovana, relembrando alguns dos mais de 6 mil toys já confeccionados.

O processo de criação do paper toy é todo de responsabilidade da ilustradora, mas o cliente é fundamental para o sucesso do toy. “Eu sou a responsável por criar e produzir, mas eles estão comigo nessa, porque é com as informações que eles me passam que eu trabalho”. Tanto é que em alguns casos a artista tem que alertar os clientes quanto alguns pedidos. “Eles pedem para colocar mais cabelo, tirar algumas rugas, e eu já aviso que isso vai afastar um pouco do real, mas eles respondem que vale a pena pela satisfação”.

A liberdade que a artesã tem com seus clientes é fruto de uma relação que foi construída ao longo do anos. “Tem uma cliente em especial que eu atendo ela há sete anos, o primeiro pedido foi de casal de namorados, depois noivos, filhos e assim vai”, brinca Geovana, que diz que às vezes já se sente parte da família, porque acompanha o crescimento dos filhos e tudo mais.

Apesar de já estar nessa área há dez anos, a artesã conta que tem gente que ainda não considera o que ela faz como trabalho. “É uma opinião que algumas pessoas têm, umas não veem como trabalho, outras acham que o computador faz tudo, que não tem uma parte artesanal, ainda que digital, mas eu sei que por mais que o trabalho seja no computador, ele é manual, o botão do mouse sempre gasta”.

Pelo fato de ser um trabalho artístico é que Geovana até hoje teve apenas uma funcionária. “Eu brinco que foi uma funcionária número única, que é a minha mãe. Porque não adianta, é complicado terceirizar trabalho artesanal”. Além da mãe Neusa, o pai Jorge e o marido Diego, também já auxiliaram e muito Geovana em suas criações, cada um do seu jeito.

E é assim, com carinho, com pesquisa e desenvolvimento, com o apoio dos familiares mais próximos, com a colaboração dos clientes e com muito trabalho manual, seja no computador, na impressora ou no papel, que um paper toy é produzido. “Se fosse para resumir em tempo, são quatro horas, duas de criação e duas de montagem, mas já adianto que não é tão simples quanto parece”.

Do papel para o computador, do computador para a impressora, da impressora para as técnicas, das técnicas para as ferramentas, das ferramentas para a colagem e as dobras, que não são poucas. Com algumas adaptações será esse o conteúdo da Oficina de Paper Toy, o primeiro curso ministrado por Geovana Martinello. “Eu vou ensinar a técnica do paper toy baseada em como eu comecei, tratando o projeto e a planificação da forma mais manual possível, justamente para compreender esse processo e particularidades de transformar uma peça plana em um objeto tridimensional”.

O primeiro curso de Geovana não poderia ser em lugar diferente, se não em sua cidade natal, Criciúma, que é onde os toys são produzidos há 10 anos. Aos interessados a Oficina de Paper Toy acontece neste sábado, dia 27, das 13h às 18h e de acordo com Geovana, gostar de trabalhos manuais e desenho feito à mão são pré-requisitos. Informações e inscrições pelo e-mail: geovanatm@gmail.com.

No ano em que completa dez anos de trabalho, além de finalmente se considerar pronta para ensinar, Geovana terá mais um desafio pela frente, trocar o papel de visitante, para expositora em feiras. E a primeira experiência será logo no maior festival de criatividade da América Latina, a Pixel Show.

“Já estava certo que eu iria participar do evento esse ano, só não imaginei que fosse como expositora”, afirma a profissional, orgulhosa pela conquista. 

A Pixel Show acontece em São Paulo, nos dias 29 e 30 de novembro e 1 de dezembro. Para expor seu trabalho no Espaço Maker da feira, Geovana teve que ser aprovada em um edital.

Além de expor os paper toys, a artista terá a oportunidade de divulgar também seus trabalhos de Quilling e Low poly, que também são artes de papel - ou mimosidades de papel, como ela prefere chamar, que juntos dos toys, decoram a casa da artista e do marido. “Aqui a casa é de ferro, mas o espeto não é de pau não”, afirma.

Além de fazer questão de utilizar o que produz, a artesã também realiza um consumo consciente. “Sempre aproveito ao máximo cada folha de papel. Mas mesmo assim, sobram aparas, sem cola, grampos ou fitas e encaminho para os centros de reciclagem. É verdade que sobra pouco porque tenho uma produção pequena, mas me sinto bem em saber que mesmo sendo pouco, tem um destino mais adequado que o aterro”, conta a profissional que tem como próximo passo, reciclar as sobras e produzir papel reciclado artesanal também.

Entre muitas histórias, ela não esquece um fato que diz ter sido determinante para o crescimento do seu trabalho. “Foi quando eu presenteei o Antônio Tabet, do Kibe Loco, com um paper toy e ele divulgou no site”. Clique aqui para conferir a postagem feita por Tabet em 8 de julho de 2009, dia em que Geovana considera como o start nos paper toys.

Gostou da história da Geovana Martinello e quer acompanhar o trabalho dela, então fica ligado no geovanamartinello.com, na página do Facebook @GtmPaperToy e no Instagram no perfil @geovanamartinello, e qualquer coisa tem também o bom e velho e-mail, geovanatm@gmail.com.