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Combate: Company Boxe Clube enfrenta o desafio de alavancar a prática do esporte de luta

Iniciar a prática, é o primeiro passo para se apaixonar pelo esporte, diz professor
Por Jessica Rosso Em 18/02/2019 às 08:30

Foto: Michael Gerald TysonMichael Gerald Tyson, Muhammad Ali-Haj e George Foreman estão entre os grandes nomes de representação do boxe. Fizeram história pelo mundo com suas conquistas e ficaram conhecidos no meio esportivo de luta, chamando a atenção do público em geral.

Uma tarefa difícil, esta última, para quem quer ser conhecido lutando boxe profissionalmente no Brasil. (Na foto ao lado, Michael Gerald Tyson). Pelo menos isso é o que diz o professor de boxe Vladison Soares Pereira, conhecido por Didio.

Para ele, no Brasil, o boxe sempre foi um esporte que trilhou à margem, fora dos grandes centros, fora do centro cultural de esporte, mas mesmo assim é procurado, de forma geral, pela perda de calorias.

Além disso, ele comenta que há muitas pessoas trabalhando com o boxe no país. A grande questão, é que “midiaticamente, ele não atinge o que deveria atingir. Creio que isso acontece por termos poucos representantes de boxe no Brasil. Já tivemos pessoas que se destacaram, o último mais significativo foi o Popó. Então ele aparecia na TV, as pessoas tinham um apelo mediático muito grande de saber quem ele era. Hoje não se tem tanto isso”, dispara o professor. 

Um exemplo citado por Didio é Patrick Teixeira, o canhoto." Ele é um dos grandes nomes brasileiros do boxe profissional da atualidade, pouco lembrado. Ele é de uma cidade do Sul de Santa Catarina, e isso pouca gente sabe, e quase ninguém conhece ele", diz.

Para o professor existe uma razão pela qual as informações não chegam. “É natural que as pessoas não fiquem sabendo, porque o boxe foi muito recluso. Eu sempre digo que o MMA passou a ter um domínio muito grande na parte de mídia, as pessoas assistem muito mais MMA do que o Boxe, porque o acesso é fácil, o entendimento é muito simples. Então todo mundo acaba entendendo o MMA e torcendo para alguém. Tivemos muitos brasileiros representando o país no MMA, diferente do boxe", compara ele, se referindo ao boxe como um esporte não tão simples de compreender. “ Isso faz com que a gente tenha pouca mídia, poucas pessoas entendendo e vendo sobre boxe", finaliza.

"Quando a pessoa começa a praticar, percebe que é uma coisa boa e aí dá continuidade".

Didio, proprietário e professor de boxe da Company Boxe Clube 

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Regina Ferreira de Vargas, iniciou boxe há dois anos e considera o esporte de luta uma paixão. "A prática em si é cativante e quando comecei vi o quanto é prazeroso e gratificante. Tudo melhora. Para mim a concentração foi uma das coisas que mais melhorou. É uma arte nobre, vem da cultura das ruas. Quem pratica entende que não é para bater nos outros. Ela te ajuda de várias formas. Te coloca no lugar do outro, faz agir melhor e ajuda na disciplina", afirma.

Recentemente, ela apresentou o esporte para a filha de 10 anos, Carolina. "Vai muito dos pais incentivar, como eu pratico, ela também vem e adora", explica. 

Os conceitos e gestos do boxe

Muitas pessoas acreditam que esportes de luta se resumem a bater. Tem também aqueles que pensam que podem se machucar praticando o esporte.

Ao chegar, nas aulas da Company Boxe Clube, um ritmo latino invade o ambiente e todos esses pensamentos caem por terra, como diz a expressão.

Compreender o boxe vai além do que se imagina, e Didio, que é proprietário do local, em sociedade com irmão, estudou muito para ensinar aos alunos: a história, os termos e as técnicas. 

E tudo começa fazendo com que o aluno entenda a parte mais importante do conceito do boxe. Segundo o professor não se trata de bater. Aliás, ele logo adianta, "aqui chamamos de golpes" e explica que "quando você vai para a área esportiva do boxe, passa a entender que lá dentro, aquilo que acontece no ringue de boxe, é tudo estudado, não é uma agressividade gratuita, não são dois atletas se batendo, tem todo um trabalho de jogo. Onde ele vai pisar e como vai fazer para golpear. Se trata de sempre sobrepor a sua técnica sobre a do outro", conta.

Não é preciso lutar com alguém para aprender a fazer, ressalta o professor, explicando que existem  diversas ferramentas e práticas, meios e métodos de ensinar, que vão fazer com que o aluno aprenda aquilo que acontece dentro de um ringue de boxe, sem que ele precise entrar em combate.

Esclarece ele que dessa forma o aluno aprende, por exemplo, a se posicionar, onde pisar, quais tipos de golpes são mais fáceis para golpear, o conceito de distância curta, média, longa distância, o conceito de golpes rápidos, golpes fortes e golpes colocados .

 

"É um esporte que se adapta as limitações do alunos, portanto todos podem praticar" 

Didio, proprietário e professor de boxe da Company Boxe Clube 

 

Um dos cuidados da Company é sempre questionar se o aluno tem alguma lesão, faz uso de medicamentos, passou por cirurgia, entre outros. "Pelo boxe ter diversos movimentos corporais sempre fazemos essas perguntas, para entendermos fisiológicamente que tipo de exercícios vamos poder colocar para a pessoa fazer. É tudo organizado para que cada aluno possa ter a sua prática. Temos casos assim, e eles praticam, e não relatam nada sobre sentir desconforto", diz.

O boxe e seus benefícios

A infinidade do mundo do boxe proporciona diversos benefícios. Entre eles está a melhora cardiovascular, por ter um trabalho muito grande aeróbico, melhora cognitiva, tempo de ação, reação, força muscular, autoestima, estética corporal.

Além disso, existem outros objetivos que podem ser alcançados dependendo do que o aluno estiver procurando. "Em pouco tempo, a pessoa já consegue se sentir melhor, sente que a rotina já mudou praticando boxe", afirma Didio.

Aprendendo boxe

Por ser extremamente complexo para trabalhar os movimentos, o esporte de boxe trabalha com uma cadeira corporal imensa. Didio explica que cada pessoa tem um jeito de aprender, alguns por estímulos visuais, outros são auditivos, outros ainda vão aprender por estímulos de gestos "eles vão ter que repetir, a gente chama de sinestésico, o corpo vai ter que executar para pegar". 

A aula dura em torno de 30 e 60 minutos. Entretanto, no boxe profissional e em clubes de boxe como nos Estados Unidos, Inglaterra, Cuba e México, o tempo do treino de boxe é de aproximadamente 1h30.

Company Boxe Clube, uma academia que nasceu de um sonho

Didio começou a gostar de boxe quando assistia as lutas de madrugada com o pai, em 1993. Aos 14 anos, ele passou a praticar o esporte.

Concluiu a formação de Educação Física, em Pelotas, no Rio Grande do Sul (RS). Na época tinha um irmão que já morava em Criciúma.

"Sempre que eu vinha pra cá eu perguntava onde tinha academia que eu queria praticar, e ele me dizia que não sabia, porque também não frenquentava, não era o mundo dele, ele gostava de futebol e tênis".

Foi então que ele decidiu que viria para Criciúma e tentaria abrir uma academia de boxe."Eu já trabalhava com boxe no Rio Grande do Sul, só que era uma academia que abriu para outras atividades, e eu sempre quiz ao contrário, ter uma academia só de boxe, porque eu entendia que as pessoas gostavam muito de boxe, era algo que dava para aplicar"

Quando veio para Criciuma recebeu uma proposta e por um ano trabalho em outra academia lecionando boxe e outras áreas da Educação Física. Depois disso abriu a Company Boxe Clube, localizada na rua Visconde de Cairú, 960, sala 4, próximo da Prefeitura Municipal, em parceria com o irmão Vladimir Soares Pereira, o Dimi. 

"Conseguimos abrir através dessa parceria que acabamos fazendo. Meu irmão passou a gostar e viu a oportunidade. Ele começou a fazer boxe quando eu vim para cá. Hoje eu já incentivo ele a ir para o ramo de Educação Física, porque ele passou a entender o que é lecionar. Ele cuida da administração da academia".

Em média, a academia tem 100 alunos, entre aulas coletivas e individuais. As aulas começam antes das 7 horas da manhã, e normalmente seguem até pouco antes das 23 horas, de segunda a sexta-feira. Para mais informações o telefone é 99611-1033 e o instagram: companyboxeclube.