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Tamanho do kit alimentação que substitui merenda é alvo de reclamação de pais

Secretária de Educação explica que o tamanho dos kits é equivalente ao valor do recurso
Tamanho do kit alimentação que substitui merenda é alvo de reclamação de pais
Foto: Ana de Mattia / Prefeitura de Criciúma/ Arquivo
Por Jessica Rosso Em 27/05/2020 às 16:13

Os kits de alimentação que estão sendo entregues uma vez por mês para estudantes do ensino municipal em Criciúma, durante a pandemia de coronavírus, têm sido alvo de reclamações. A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Criciúma (Siserp), Jucélia Vargas, explica que a quantidade de alunos na lista para receber o kit aumentou no segundo mês (segunda vez da entrega), mas a quantidade de alimentos colocados no kit diminuiu. Como os pais recebem os kits nas escolas, os diretores acabaram tendo alguns problemas já na primeira entrega. 

"A comunidade acabava achando que era o diretor que estava escolhendo o que o pai que iria receber, e não era. Vinha uma lista da prefeitura, com os alunos que deveria receber a partir da renda familiar. A secretaria informava que na medida que os pais iriam solicitando, os diretores fossem incluindo outros nomes para entregar o kit, só que na medida que ía incluindo outros, esse kit ía diminuindo de tamanho", afirma Jucelia. Ela ainda se referiu ao kit como 'vergonhoso'. "O diretor ir lá chamar o pai e a mãe para receber um quilo de arroz e feijão e um saco de pão", pontuou.

A polêmica, segundo ela, é de que há uma autorização federal para transformar a merenda escolar em kits para os pais. "A prefeitura ganhou uma série de recursos para combater a pandemia, e matar a fome das pessoas também faz parte de combater a pandemia, então o Governo poderia utilizar um pouco desse dinheiro para ampliar os kits", comentou.

A secretária municipal de Educação, Cristiane Uliana Fretta, confirmou que o número aumentou de 6 mil para 9,300 mil alunos de um mês para o outro, e explicou que o tamanho dos kits é equivalente ao valor do recurso. "É recebido R$ 1,07 por aluno do ensino integral e R$ 0,53 do ensino parcial, então o recurso é bem pequeno, e a cesta está indo bem. Para o recurso que vem do Governo Federal a gente conseguiu fazer uma cesta bastante grande. Tem uma dúzia de ovos, dois quilos de arroz, um quilo de feijão, fruta, que é banana ou maçã, e no outro vai ou abóbora ou batata. Além do pão. É um kit bom perto do recurso que vem do Governo Federal", explicou. 

De acordo com Cristiane, a contrapartida da prefeitura é a compra do pão. Mas, a secretária não soube informar o valor que é gasto com os pães que são entregues. As duas entregas somaram R$ 506 mil, disse a secretária. Ela afirmou ainda que as entregas vão acontecer até a retomada das aulas, o que ainda não tem previsão para acontecer. A terceira entrega está prevista para a primeira semana do mês de junho.

O verador Zairo Casagrande comentou nessa segunda-feira, dia 25, que vereadores estão pleiteando que a prefeitura encaminhe cestas básicas às famílias, substituindo a merenda. "O que se quer é a grana da merenda convertida em cesta básica", ponderou. Ele protocolou o envio de expediente ao chefe do Poder Executivo Municipal, solicitando as seguintes informações: 

1 - Quais os valores recebidos oriundos da rubrica Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), desde o inicio da pandemia? Informar valores e datas. 

2 - Quais os valores repassados e/ou convertidos em kits ou cestas básicas no período? Informar valores por escola , quantidades, custo por unidade, produtos entregues, e respectivas totalizações. 

3 - O valor, originalmente destinado à merenda de cada unidade escolar, foi convertido de forma correspondente em alimentos entregues no período?

O requerimento deve entrar na pauta da Câmara de Vereadores de Criciúma em breve.