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Professores aliam criatividade e conhecimento para as aulas no período de distanciamento social

Desde 1º de abril, acadêmicos passaram a ter aulas remotas em Universidade
Professores aliam criatividade e conhecimento para as aulas no período de distanciamento social
Foto: Divulgação
Por Redação Em 25/04/2020 às 09:20

O verbo reinventar talvez nunca tenha sido tão conjugado como neste momento. A reinvenção vai do pessoal ao profissional e com os professores da Universidade não têm sido diferente. Todo o corpo docente da Unesc, do especialista ao mestre e ao doutor, encarou de forma corajosa o desafio imposto pela realidade da pandemia de Covid-19, especialmente o distanciamento social. Buscou conhecimento, capacitação, modelos e contou com a ajuda de uma equipe de Assessoria Pedagógica e de demais setores da Unesc para levar a qualidade das aulas presenciais para as mediadas por tecnologias digitais.

Desde 1º de abril, todos os acadêmicos dos mais de 40 cursos de graduação presenciais da Universidade passaram a ter aulas remotas, com encontros ao vivo com os professores das diversas disciplinas e a realização de várias atividades. Tudo para manter a segurança das pessoas e permitir que os calouros e veteranos deem continuidade ao processo formativo. Afinal, entre tudo que o momento têm nos demonstrado, fica evidente que cada vez mais precisamos estar preparados. E para isso, o conhecimento é a chave.

E por falar nele, o conhecimento, a Agência de Comunicação conversou com quatro professores das áreas de Engenharias e Tecnologias, Saúde, Ciências Sociais Aplicadas e Humanidades, Ciências e Educação para saber como tem sido essa reinvenção. Antecipamos que há doses generosas de criatividade, zero acomodação e um norte bem definido: qualidade no ensino.

 

Engenharia na cervejaria 

Não, você não leu errado. Os conceitos de engenharia de alimentos estão indo para a cervejaria. Pelo menos nas aulas do professor Antônio Cleber Gonçalves Júnior para os cursos de Engenharia Química, Nutrição e Farmácia, as disciplinas de Engenharia Bioquímica (para o primeiro curso) e Bromatologia (estudo da composição dos alimentos) têm como cenário, o laboratório de uma cervejaria. “Coloquei duas webcans no laboratório e um notebook. Uso as paredes do local como quadro para explicar fórmulas e cálculos e na bancada consigo demonstrar o que ocorre nos processos. Dentro de uma das disciplinas, por exemplo, trabalhamos a levedura e consegui mostrar o que acontece com ela”, conta.

A ideia do professor, que é engenheiro de alimentos e especialista em Gestão Empresarial, surgiu a partir do desafio de passar uma mensagem compreensível ao estudante sem ter a interação de sala de aula. A preocupação, segundo ele, é que o acadêmico tenha a mesma qualidade no ensino mediado por tecnologias que tinha no modo presencial. “Fiquei surpreso com o retorno dos alunos. Recebi muitas mensagens de estudantes parabenizando pelas aulas. Isso me deixa motivado e é um norte importante nesse momento de aulas remotas. Em sala de aula, você logo vê a expressão deles, se estão entendendo, gostando da aula. Vê o brilho nos olhos, que agora foi substituído pelo brilho das palavras e da interação virtual”.

Antônio considera essa fase de grande aprendizado, tanto para professores quanto para alunos. Para ele, é um momento de reflexão: aos professores, como explorar cada vez mais as novas possibilidades de transmissão do conhecimento e aos estudantes, como serem cada vez mais ativos em seu processo formativo. “Ter informação e conhecimento é o que diferencia as pessoas e é importante que não se interrompa esse caminho”, afirma o professor, que já pensa em começar a criar conteúdos na web.

 

Movimentando as redes sociais

Além das plataformas utilizadas pelo ambiente virtual de aprendizagem, usar as redes sociais está sendo uma das estratégias da professora dos cursos de Nutrição, Enfermagem e Educação Física da Unesc, Fabiane Fabris. Segundo ela, os professores da Universidade estão tendo ao seu favor todo um processo de formação ao longo de anos. “A preparação já vem ocorrendo durante as formações continuadas que nós professores participamos. A Unesc investe bastante em inovação e novas metodologias de ensino, o que tem facilitado esse momento em que tivemos que desenvolver novas habilidades para as aulas mediadas por tecnologia e pensar em aulas que tivessem a interação dos alunos”.  

Nutricionista e mestra em Desenvolvimento Socioeconômico ela incentiva a realização de pesquisas e do compartilhamento delas entre os alunos durante as aulas em tempo real. Além disso, faz vídeos explicando conceitos e aulas práticas e convidou os acadêmicos a também criarem e compartilharem nas redes. O resultado? Trabalhos criativos, fotos, textos, postagens e muito aprendizado.

Ela ministra disciplinas como Segurança Alimentar e Antropologia da Alimentação e busca sempre pensar em algo que possa complementar o conteúdo teórico. “Atividades que seriam práticas foram transformadas em materiais para redes sociais. Os acadêmicos conseguiram produzir materiais científicos de excelente qualidade e tivemos um retorno muito positivo nas redes. Trabalhamos também com vídeos, documentários e pesquisas em artigos científicos e convidamos os alunos a falarem sobre as suas pesquisas. Isso gera um diálogo muito produtivo para todos”.

Para Fabiane, são nos desafios enfrentados que se encontram soluções e possibilidades de crescimento e evolução, tanto para professores quanto para alunos.

 

Atendimento personalizado

O distanciamento social tem apresentado novos desafios e realidades que requerem uma mudança de postura. Segundo a professora dos cursos de Ciências Contábeis , Engenharia de Produção, Administração e Comércio Exterior da Unesc, Ana Paula Silva dos Santos, o que era usado para suporte das aulas presenciais se transformou no meio de interação com os alunos. E após a comunidade acadêmica voltar para o campus, ela tem certeza de que várias práticas das aulas remotas serão incorporadas na rotina dos professores e alunos, como o uso do Google Meet.

Neste contexto de aulas remotas, a bacharela em Administração com Habilitação em Comércio Exterior e mestra em Desenvolvimento Socioeconômico considera um dos desafios buscar a participação dos alunos. Para enfrentar isso, Ana Paula tem contado com a ajuda dos próprios acadêmicos e realizado um atendimento personalizado. “O feedback dos alunos é muito importante. Não adianta ter uma aula pronta. Precisamos adequar as atividades e as formas de interação de acordo com a realidade de cada turma. Em uma delas, a maioria acessava as aulas pelo celular. Em outra, precisamos rever a maneira de passar os recados, já que muitos não utilizavam o WhatsApp. Acabamos personalizando de acordo com a necessidade deles”, conta.

Google Meet, WhatsApp e os aplicativos Mentimeter e Jamboard são alguns dos recursos digitais que a professora tem utilizado para aumentar a interação nas aulas, além de “quiz” e grupos de discussão. “Os estudantes estão trazendo mais as suas dificuldades e sendo protagonistas também do processo de aprendizagem”, afirma. Para ela, a educação tem um papel primordial na vida das pessoas. “Ela desenvolve visão crítica para compreender melhor as situações e tomar decisões melhores. O conhecimento permite que a pessoa se sinta mais segura inclusive para buscar algo novo. Em momentos de crise, a criatividade é uma grande aliada”. 

 

Inclusão é a palavra

Atividades pensadas e planejadas semana a semana, desde a preparação do roteiro de aula, passando pela apresentação do conteúdo, até a escolha da melhor atividade avaliativa para o momento. Assim é a organização do professor dos cursos de Ciências Biológicas, Engenharia Ambiental e Farmácia e assessor pedagógico na área de Humanidades, Ciências e Educação, Guilherme Alves Elias. “Na medida do possível, sempre trago inovações e métodos de abordagem diferentes, pensando na aplicabilidade e condições pedagógicas. O aluno precisa se sentir contemplado e nunca excluído. Isso implica em pensar em técnicas e atividades que todos consigam fazer”, explica.

Ele, que é graduado em Ciências Biológicas e tem doutorado em Ciências Ambientais, ministra disciplinas práticas na Unesc e por isso, plantas e estruturas biológicas são companheiras do cenário de suas aulas ao vivo e gravadas. “Isso acaba aproximando os alunos do que faríamos em sala”, diz.

Segundo ele, a preparação para as aulas mediadas por tecnologias digitais precisou ser rápida, pelas circunstâncias, mas teve muita organização e foco na qualidade e na experiência formativa dos alunos. “Nós da Assessoria Pedagógica tivemos que pensar o processo e as melhores ferramentas para continuar oferecendo uma educação de qualidade e excelência, com foco em metodologias efetivas e inovadoras de aprendizagem”, revela.

Para Elias, estamos observando a mudança no mundo em busca de uma cura, de interação e, principalmete, de empatia. “Acredito que o processo de ensino aprendizagem nunca mais será o mesmo depois de passarmos por isso”.

Colaboração: Assessoria de Imprensa Unesc - Aicom - Assessoria de Imprensa, Comunicação e Marketing