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Professor da Unesc desenvolve pesquisas em parceria com Instituto Pasteur

Dal Pizzol foi um dos primeiros do mundo a estudar relação cérebro e sepse
Professor da Unesc desenvolve pesquisas em parceria com Instituto Pasteur
Foto: Milena Nandi
Por Redação Engeplus Em 10/04/2018 às 17:40

A sepse (infecção grave) é responsável por mais mortes de pacientes em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) que o infarto. Atualmente, 40% dos óbitos em UTI são causados por infecção generalizada. Na Unesc, o assunto é estudado há anos e o professor doutor Felipe Dal Pizzol é um dos pesquisadores referência no assunto. Há 15 anos desenvolvendo pesquisa com sepse, Dal Pizzol atualmente faz parte seu trabalho em parceria com o Instituto Pasteur, em Paris, na França, um dos mais renomados centros mundiais quando o assunto é estudo da biologia dos microorganismos, das doenças e vacinas. O professor da Unesc foi um dos primeiros no mundo a pesquisar sobre os mecanismos da disfunção do cérebro na sepse.

Dal Pizzol, que no primeiro semestre de 2018 está dividindo suas pesquisas entre os laboratórios da Unesc e do Instituto Pasteur, comenta que quem sobrevive à sepse tem problemas para voltar à vida ativa. Casos de déficits cognitivos, aceleração do processo de demência, dor crônica, fraqueza muscular e dificuldades de fazer as tarefas do dia a dia são detectadas nesses casos. “Trabalhamos mais com a parte da sequela. Em geral as pessoas pensam que doença de UTI é aguda, que a pessoa sai de lá curada. Hoje já sabemos que não, que o paciente fica ocasionalmente cronicamente doente. Estudamos como o cérebro reage à sepse, mas sabemos que ela afeta todos os órgãos. A pessoa pode desenvolver, por exemplo, doença renal ou disfunção no pulmão. Entretanto, a disfunção do cérebro pode, de maneira diferenciada, ser duradoura”, conta o professor da Unesc.

Quando iniciou a pesquisa, Dal Pizzol estudava os efeitos da sepse no organismo de maneira geral. Há aproximadamente dez anos, ele tem se dedicado a investigar a disfunção cerebral relacionada à sepse. “Hoje entendemos muito melhor o que acontece no cérebro. Como a inflamação acontece no cérebro, qual o tipo de estímulo dessas células, entre outros diferentes mecanismos”.

Segundo Dal Pizzol, o estudo do comportamento do cérebro a longo prazo na sepse é recente. “Fomos um dos primeiros do mundo a fazer em modelos animais. A primeira demonstração de que um animal que sobrevive à sepse fica com alteração foi na tese da professora Tatiana, que demonstrou que 30 dias após a cura, os ratos ficam com alteração cognitivas, não conseguindo aprender uma tarefa que um rato normal faria”, conta. Dal Pizzol tem a parceria dos professores doutores da Unesc Tatiana Barichello, João Quevedo, Cristiane Ritter e Cristiane Damini Tomasi em seus estudos.

Relação com a doença de Alzheimer

Conforme os estudos, depois da infecção grave, mesmo que não afetado diretamente o cérebro, fica em um estado de inflamação crônica, de menor intensidade, mas que perdura. “Em alguns animais que tem um evento agudo, seis meses depois ainda possuem o cérebro com inflamação, que parece em alguns momentos a que tem no Alzheimer”, revela.

Dal Pizzol explica que a Doença de Alzheimer deposita algumas proteínas no corpo que faz com que o sistema imunológico do cérebro reaja. Algo semelhante ao que ocorre na infecção generalizada. “Na sepse há inflamação crônica e ela faz com que tenha disfunção no neurônio que leva ao fenótipo, à expressão clínica do rato não aprender ou de ficar com problemas cognitivos”, explica.

Oportunidades para formação profissional

As pesquisas desenvolvidas envolvem os alunos de graduação, mestrado e doutorado da Unesc e pesquisadores e estudantes de mestrado e doutorado e pós-doutorado do Instituto Pasteur. “O laboratório que eu trabalho na França atua com disfunção muscular e neurológica. Então é um caminho aberto para os pesquisadores do Pasteur virem para a Unesc e para os nossos alunos de mestrado e doutorado irem para lá”.

Dal Pizzol conta que os acadêmicos de graduação da Unesc que participam de projetos de iniciação científica também podem ter contato com a pesquisa. “Tudo é compartilhado com eles. Fazer pesquisa abre um mundo para o aluno de graduação. Ele aprende habilidades de um conteúdo específico em profundidade, mas abre a perspectiva de como aprender, como buscar, de como responder uma pergunta científica. Os mecanismos que a gente usa na pesquisa para desenvolver o raciocínio, a hipótese, pensar no problema e para resolver o problema é muito importante na formação. E a Unesc é exemplo de colocar o aluno dentro do laboratório para participar desse processo”, considera.

Colaboração: Unesc