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Educação

Criciúma

As portas e os caminhos que o CEJA abre

11
OUT
2017
| 17h35
17h35
Denis Luciano
Jornalista | Portal Engeplus
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Denis Luciano

O Rafael, o Valter e o Gilmar não se conheciam. Hoje, compartilham suas realidades com outras duas dezenas de homens e mulheres, adultos das mais diversas idades que em uma das salas da escola Jarbas Passarinho perseguem o mesmo sonho: vencer o ano e meio de estudos no Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) para, com o diploma de Ensino Médio à mão, continuarem trilhando o caminho rumo à Universidade.

Pai de um filho de um ano e meio, Rafael Borges Medeiros está empolgado com seu atual emprego. Ele trabalha no açougue de um supermercado de Criciúma, e vê perspectivas de crescer. “Por isso vim para o CEJA, recuperar o que deixei para trás”, conta. “E estudar faz a diferença”, afirma o jovem de 28 anos. Entre os projetos de Rafael, estudar Administração ou Tecnologia da Informação. “Para evoluir na empresa”, projeta.

Ao contrário de Rafael, o aposentado Gilmar Vicente já está com a vida mais tranquila. Com seus 58 anos, o morador do Jardim Maristela vê no CEJA o caminho para concluir os estudos e alcançar um diploma para ajudar os outros. “Quero fazer um trabalho voluntário com quem precisa, com os carentes, levando a palavra”, conta. A ideia de Gilmar é cursar Teologia.  

Casado com Sônia há 33 anos e pai de um casal, ele com 32 e ela com 26 anos, Gilmar teve nos filhos o grande incentivo para voltar à sala de aula depois de tantos anos. “Recebo muita força da família e também dos professores, que são carinhosos e pacientes conosco. No começo foi bem difícil”, relata o aposentado.

Mais jovem que Gilmar, mas mais maduro que Rafael, Valter Mello, 47 anos, freqüenta as mesmas aulas dos colegas no CEJA do Jarbas Passarinho. E a exemplo dos demais também persegue um diploma universitário. “Eu parei de estudar para trabalhar e alimentar a minha família”, recorda. Metalúrgico, ele começou com zincador na empresa onde trabalha, foi subindo na carreira e hoje, como supervisor, vê ainda mais progresso adiante. “Para isso, quero estudar Administração de Empresas”, adianta. “Foram 33 anos sem estudar, mas é a melhor coisa que tem”, conclui.

Quase dois mil atendidos

O CEJA atende 1.944 alunos em dez municípios da região carbonífera e nas unidades prisionais. “É progresso na vida de todos esses jovens e adultos”, avalia o diretor do programa, professor Juscelino Cervelin. “Esse pessoal perdeu estudo ao longo do tempo por diversas razões e agora, com muita garra e dedicação, voltam perseguindo sonhos. Eles se sentem muito bem acolhidos pelo CEJA”, comenta, orgulhoso.

Somente em Criciúma são 519 atendidos no Jarbas Passarinho, 40 na unidade do Jardim União e outros 40 na escola Heriberto Hülse, na Próspera. Há ainda as unidades de Içara (225 alunos), Forquilhinha (192), Morro da Fumaça (135), Urussanga (86), Lauro Müller (82), Balneário Rincão (58), Orleans (34), Nova Veneza (17) e Treviso (14 estudantes).

Oportunidade para apenados

O projeto é, também, a abertura de portas para quem está privado de liberdade. São 332 detentos do presídio Santa Augusta e 250 da Penitenciária Sul que estudam e lêem em troca de remissão de penas e contando, conforme progridem, menos dias atrás das grades. “Temos professores especialmente destacados para os presos. Eles se dedicam bastante e passam pelo mesmo regime dos alunos em liberdade, com as provas”, observa Cervelin.

Para todo o jovem e adulto que se submete ao CEJA, o esquema é simples; São três módulos que totalizam um ano e meio de aulas até a conclusão do Ensino Médio. “São três blocos de disciplinas correspondentes a cada ano do Médio”, confirma o diretor. “No caso dos apenados, existe ainda a progressão de pena por leitura. Cada livro lido, eles escrevem uma resenha que é avaliada por um professor e pelo juiz. Caso seja considerada válida, ocorre a remissão de dias na pena”, completa.

Seja para os presos, seja para os cerca de 1,4 mil alunos em liberdade nas unidades do CEJA na região, o foco é muito claro. “Esperança em um futuro melhor”, enaltece Rafael. “Força para ajudar”, evidencia Gilmar. “Crescer e fazer o bem”, destaca Valter. “A procura aqui é diária, e vemos todos muito determinados em chegar a algum lugar”, arremata o diretor.

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