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Setor cerâmico quer aumento da distribuição de gás natural para acelerar produção

SCGás promete solução a partir de março de 2022
Setor cerâmico quer aumento da distribuição de gás natural para acelerar produção
Foto: Jessica Rosso Crepaldi
Por Jessica Rosso Crepaldi Em 07/10/2021 às 19:51

O gás natural é indispensável para a produção e, consequentemente, o desenvolvimento do setor cerâmico. Ocorre que hoje, o gasoduto que abastece a região de Criciúma está no limite, e por conta disso, não há mais linha de produção. Necessitando expandir e trabalhando com produtos modernos e de alta qualidade, o mercado das indústrias cerâmicas aguarda uma solução que atenda a demanda, e com isso volte a crescer. 

“Estamos tratando desse assunto para que possa ter uma disponibilidade, para que possa atender essa demanda e crescimento aqui na região. O nosso produto é reconhecido como um produto de qualidade, fala em cerâmica de Santa Catarina, já sabe que é produto bom”, comentou o diretor executivo do Sindiceram, Luiz Alexandre Zugno. A região sul de Santa Catarina foi pioneira no uso do gás natural, sobretudo por ser um polo cerâmico. Oito indústrias cerâmicas estão situadas em Criciúma e no entorno, em municípios vizinhos. Quatro indústrias são fornecedoras de matéria-prima para as cerâmicas e estão instaladas também na região. 

O diretor presidente da SCGÁS, Willian Anderson Lehmkuhl, comentou que de uma forma antecipada foi buscado suprimento junto à Petrobras para a crescente demanda das indústrias do Sul do Estado. Uma comitiva foi até à Petrobras no mês de agosto e a mesma sinalizou que investimentos novos para ampliação do sistema atual demorariam de três a cinco anos.

“Portanto, a gente está resolvendo por conta própria, importando esse gás da Argentina e através de um terminal catarinense na Baía da Babitonga. Não vamos esperar pela Petrobras. Vamos nós mesmos, dar solução a essa demanda crescente aqui de Santa Catarina e do Sul do Brasil”, disse Lehmkuhl.

Alternativas

Lehmkuhl explicou que apartir de março de 2022, vai ter um suprimento adicional de 150 mil m³ de Gás Natural por dia, vindos da Argentina e sendo injetados diretamente na  rede de distribuição da SCGás, localizada em Içara, para abastecer de forma complementar a região sul de Santa Catarina.  

A partir de maio do próximo ano entra em operação um terminal de gás natural liquefeito na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul. “Esse terminal poderá receber navios metaleiros de grande porte, com volume de até 15 milhões de m³/dia de GNL, o suficiente para abastecer todo o estado de Santa Catarina, todo o estado do Rio Grande do Sul, do Paraná e ainda sobra capacidade para enviar gás para São Paulo a partir de Santa Catarina”, afirmou. 

O presidente do Sindiceram Otmar Müller comentou sobre a iniciativa. “Isso vai ser a oportunidade para que as empresas daqui possam usar a total capacidade de produção, porque hoje já tem fábricas que não conseguem produzir a totalidade da sua capacidade por falta de gás, as cerâmicas propriamente ditas, mas também as indústrias que abastecem as cerâmicas, os fabricantes de esmaltes que também necessitam de gás natural nos processos deles”, disse.

A preocupação está nos investimentos já instalados na região e também na expansão. “Porque hoje se uma dessas indústrias quiser colocar mais um forno, não há gás para isso, haverá sim quando acontecer essa alternativa que a SCGás está providenciando, mas é uma alternativa, que não é a mais econômica, até porque vamos ter um transporte por via, rodoviária, de início talvez até tenha que vir da Argentina para cá, até ficar pronto esse terminal que está sendo construído lá em São Fransciso. Mas mesmo assim a gente vai ter o custo do transporte de lá até aqui, em cima do gás. Pelo gasoduto esse transporte é muito mais barato e mais seguro também”, finalizou Müller.

O mercado de Gás Natural no Sul do Estado é composto por 73 indústrias, principalmente do segmento cerâmico, que são responsáveis por cerca de 46% de todo o consumo do insumo em Santa Catarina. A Região Sul do Estado também é expressiva no número de unidades residenciais consumidoras de Gás Natural. Atualmente, Criciúma é o maior mercado de Gás Natural residencial, com mais de 7,9 mil apartamentos conectados à rede. Até 2025, estima-se investir mais de R$ 1,7 milhão para ampliação da rede urbana nos municípios de Criciúma e Tubarão.


Foto: ​Cassiano Ferraz