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Engie não participa de leilão e futuro do Complexo Jorge Lacerda depende de prorrogação da CDE

Lideranças ainda buscam formas para continuidade do subsídio para a compra do carvão
Engie não participa de leilão e futuro do Complexo Jorge Lacerda depende de prorrogação da CDE
Foto: Divulgação/Engie
Por Lucas Renan Domingos Em 01/07/2021 às 17:31

A luta de lideranças de Santa Catarina continua para evitar a paralisação do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda (CJTL) em 2027. Recentemente, o governador Carlos Moisés chegou a dar uma notícia de esperança para o futuro da usina. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, avisou Moisés que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) faria um leilão de energia térmica no fim do mês de junho e caso a Engie participasse da disputa e obtivesse êxito o complexo em Capivari de Baixo poderia ganhar uma sobrevida até 2047. Só que a empresa não entrou na concorrência.

O presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Luiz Zancan, explica que o leilão não foi atrativo. “O leilão de energia existente foi dia 25 (de junho) e a Engie não participou. A demanda foi muito baixa e não teria sucesso se participasse”, disse.

O caminho para tentar manter o complexo ativo continua sendo a prorrogação da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que é um subsídio para regulado pelo Ministério de Minas e Energia para que a usina pague as mineradoras. O objetivo do setor carbonífero do Sul de Santa Catarina é estender o prazo da CDE, que termina em 2027 até 2035. “Nesse momento é a solução mais certa”, pontua Zancan

Recentemente uma emenda para a prorrogação da CDE foi incluída na proposta da privatização da Eletrobras, mas o item foi retirado do texto na votação no Senado. Agora as lideranças de Santa Catarina tentam encontrar uma outra forma para ampliar o prazo do subsídio. Um dos caminhos é a criação de um novo Projeto de Lei.

Em 2020, a Engie estabeleceu um cronograma para desativação do Complexo Termoelétrico Jorge Lacerda. Até dezembro de 2021 serão desligadas as unidades um e dois da UTLA. Em dezembro de 2023 serão finalizadas as atividades das unidades três e quatro da UTLA e em dezembro de 2025 param a UTLB e a UTLC. A estimativa é de que o fechamento do complexo gere uma queda de redução de R$ 6 bilhões ao ano na economia da região.

O complexo é constituído por sete grupos geradores, agrupados em três usinas: Jorge Lacerda A, com duas unidades geradoras de 50 MW e duas de 66 MW cada, Jorge Lacerda B, com duas unidades de 131 MW cada e, Jorge Lacerda C, com uma unidade geradora de 363 MW, totalizando 857 MW. A garantia física para comercialização da sua energia é de 649,9 MW médios e sua autorização para funcionamento tem vigência até 2028.