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Mercado Livre desiste do Sul catarinense e anuncia centro logístico em Governador Celso Ramos

Empresa chegou a cogitar instalar nova unidade em Içara e Araranguá
Mercado Livre desiste do Sul catarinense e anuncia centro logístico em Governador Celso Ramos
Foto: Divulgação / Mercado Livre
Por Lucas Renan Domingos Em 12/11/2020 às 15:33

Nos últimos meses o Mercado Livre foi pauta de Economia na região Sul de Santa Catarina. A empresa, criada na Argentina e a maior do ramo de comércio eletrônico na América Latina, vai construir um novo centro logístico no Sul do Brasil. Cidades como Içara e Araranguá se colocaram como candidatas a sediar o novo empreendimento, mas o Mercado Livre anunciou que a obra será erguida na cidade de Governador Celso Ramos, na região da Grande Florianópolis. 

O unidade terá, inicialmente, 32 mil metros quadrados, com capacidade de expansão para até 71 mil metros quadrados. A previsão é que o centro de distribuição fique pronto em meados 2021, contudo, em janeiro já será realizada uma operação temporária no município para atender as demandas do Sul do país. A expectativa é que sejam gerados mais de mil empregos. 

A Prefeitura de Içara chegou a disponibilizar para o Mercado Livre um terreno para receber o centro logístico no complexo industrial Luiz Henrique da Silveira, na comunidade de Esperança. As negociações seguiram, mas não progrediram cuminando na ida da empresa para a região da Capital. 

O prefeito de Içara, Murialdo Gastaldon, destacou a importância da unidade ser construída em Santa Catarina, já que o Rio Grande do Sul também estava na disputa, mas lamentou a desistência do Sul catarinense.

Sempre nos foi dito que o trecho da BR-101 Sul era a principal opção. Eu, logicamente, queria que fosse em Içara, mas não ficou nem na nossa região. Não analiso como uma derrota, mas deixamos de ganhar. O Sul precisa pensar em estratégias. Não dá mais para ficar esperando por decisões centrais. Precisamos nos organizar. Não dá mais para ficar acreditando que no centro das decisões vai haver políticas voltadas para a reconversão econômica da nossa região 

Murialdo Gastaldon, prefeito de Içara
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Murialdo Gastaldon em reunião com o secretário de Estado da Fazenda Paulo Eli, em julho, tratando sobre a vinda do Mercado Livre para Santa Catarina - Foto: Divulgação

As negociações entre o Governo de Santa Catarina e o Mercado Livre iniciaram ainda em fevereiro deste ano. Para o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Siqueira, a escolha técnica representa o empenho do Governo catarinense em uma política sólida em tornar o Estado mais competitivo. “A chegada do Mercado Livre, que se soma a outras multinacionais que já aportaram aqui, agrega valor à nossa matriz econômica, aliada à tecnologia e inovação, por meio da economia colaborativa e criativa. É sinônimo de mais oportunidades, mais desenvolvimento, esperança, confiança e prosperidade ao nosso Estado”, enfatizou.

O vice-presidente da Mercado Envios, Leandro Bassoi, enfatizou que tanto Santa Catarina quanto Governador Celso Ramos têm localização estratégica, que favorece a operação logística pela presença geográfica, nas proximidades de rodovias importantes e de grandes centros urbanos. “Também identificamos boa disponibilidade de serviços e colaboradores qualificados. O ambiente regulatório do Estado permitirá operarmos em regime fiscal muito favorável aos vendedores, proporcionando maior aderência ao nosso serviço de fulfillment, com reflexos positivos para os consumidores da região”, salientou.

Outras unidades pelo Brasil

Além de Santa Catarina, outros quatro centros logísticos foram anunciados, sendo dois na cidade de Cajamar e um em Guarulhos, ambos em São Paulo, e outro no município de Extrema, em Minas Gerais. Com isso, o Mercado Livre duplicará sua capacidade no Brasil, passando a contar com 610 mil metros quadrados de armazenagem e expandindo a lista de 1.800 cidades que já recebem suas encomendas em até dois dias. A expectativa é que sejam gerados 13.500 empregos até o fim de 2021. Na última semana, a empresa já havia anunciado a compra de quatro aviões para ampliação da frota que conta, ainda, com 600 carretas e 10 mil vans.

Segundo dados da companhia, a operação no Brasil representa 55% da receita líquida total, tendo alcançado US$ 610,7 milhões somente no último trimestre de 2020, crescimento de 56,6% em dólar e 112,2% em real, em relação ao mesmo período no ano passado. Com 76,1 milhões de usuários ativos e mais de 12 milhões de vendedores, a cada segundo, 19 vendas são realizadas na plataforma.