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Aumento nos preços de itens da cesta básica nos supermercados varia de 7% a 15%, diz Acats

Crescimento das exportações e maior consumo dos brasileiros refletem na elevação
Aumento nos preços de itens da cesta básica nos supermercados varia de 7% a 15%, diz Acats
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Por Lucas Renan Domingos Em 04/09/2020 às 17:39

A ida ao supermercado ficou mais cara para o consumidor nos últimos dias. Os preços dos itens de cesta básica passaram por reajuste e estão sendo encontrado nas prateleiras das lojas com valores mais altos. Os produtos mais impactados são arroz, feijão, leite, carne e óleo de soja, que tiveram aumentos significativos.

Nazareno Dorneles Alves, vice-presidente da Regional Sul da Associação Catarinense dos Supermecados (Acats), afirma que os reajustes nos estabelecimentos de Santa Catarina variam entre 7% e 15%. Já a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), apontou que em todo Brasil o aumentou pode chegar a 20%.

Conforme a Abras, o setor tem sofrido constante pressão pelo aumento dos preços dos itens da cesta básica. Alves alega que os aumentos dos valores não estão sendo feitos pelos supermercados. “Esse reajuste já está vindo dos nossos fornecedores, da indústria. Nós não podemos e nem devemos segurar esse aumento. Infelizmente precisamos repassar ao consumidor final, que acaba sentindo. Os crescimentos dos preços começaram nos últimos 30 dias e estão subindo a cada dia, semana, quinzena”, disse.

A Abras emitiu uma nota onde afirma que a elevação “se deve ao aumento das exportações destes produtos e sua matéria-prima e a diminuição das importações desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio que provocou a valorização do dólar frente ao real. Somando-se a isso a política fiscal de incentivo às exportações, e o crescimento da demanda interna impulsionado pelo auxílio emergencial do governo federal”, apontou a associação.

A regra básica da economia, a relação entre oferta e demanda, é o que reflete nos preços. “Um exemplo é a carne. A alta do dólar tem motivado o agronegócio a exportar mais grãos, que são essenciais para a nutrição dos animais de corte. Assim, diminuiu a produção de carne. Ao mesmo tempo, a pandemia tem feito as pessoas cozinhar mais. Então a demanda por carne aumenta, mas a oferta está baixa, impactando no preço”, destacou o vice-presidente da Acats.

Outra preocupação é o desabastecimento das lojas de alguns produtos, já que o que está sendo produzido no Brasil, em sua maioria, está sendo levado para fora do país. “Pode ocorrer, sim, a falta de mercadorias. Mas ainda estamos abastecidos”, salientou Alves. A Abras disse estar em contato com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e representantes de todos os elos da cadeia de abastecimento para buscar manter os preços normalizados e garantir o abastecimento das lojas supermercadistas.

“Reconhecemos o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira. Mas alertamos para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar transtornos no abastecimento da população, principalmente em momento de pandemia do novo coronavírus (Covid-19)”, reforçou a associação.

Por fim, a entidade disse ser contra o aumento abusivos de preço. “Apoiamos o sistema econômico baseado na livre iniciativa, e somos contra às práticas abusivas de preço, que impactam negativamente no controle de volume de compras, na inflação, e geram tensões negociais e de ordem pública. A ABRAS comunicou (03.09) à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, sobre os reajustes de preços dos itens citados acima, com o intuito de buscar soluções junto a todos os participantes dessa cadeia de fornecedores dos produtos comercializados nos supermercados”, completou.