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Mercado Internacional: Paraguai, por quê?

Mercado Internacional: Paraguai, por quê?
Foto: Divulgação / UNQ
Por Redação Portal Engeplus Em 31/08/2017 às 09:13
Artigo escrito por Marcelo Raupp, empresário e consultor em negócios internacionais

Embora o mercado internacional esteja cada vez mais acessível para as oportunidades desde a década passada, a situação atual da economia brasileira tem obrigado as empresas a saírem das suas zonas de conforto. É preciso reduzir custos, melhorar os produtos e serviços e encontrar novos e melhores clientes. E o acesso ao diferencial de outros países possibilita exatamente isso que se procura.

Dentro das oportunidades internacionais, uma que tem estimulado curiosidades é o Paraguai. Afinal, por que algumas empresas têm levado parte do seu processo produtivo para lá? Como temos nos especializado sobre o assunto há algum tempo, compartilhamos abaixo algumas características interessantes.

Benefícios Tributários

O Paraguai historicamente não tem uma indústria especializada. Suas empresas são limitadas e geralmente dependem de tecnologia internacional para suprir suas demandas. É também por isso que a oferta de empregos é escassa e o giro de consumo depende do estímulo do governo para atrair indústrias que ofereçam diferentes serviços à população.

Por isso, as autoridades paraguaias têm desenvolvido ao longo dos anos benefícios tributários principalmente para as empresas internacionais se instalarem na região. Mesmo sem a arrecadação integral desses impostos, o país consegue empregar seus cidadãos, aumentando a capacidade de consumo interno e estimulando a economia local.

Em geral, são benefícios de isenção ou redução de impostos para a importação, produção e exportação para diferentes países. Ou seja, algumas empresas brasileiras se instalam lá, fazem seu processo produtivo, ou parte dele, e enviam seus produtos para o Brasil.


Foto: Divulgação / Renato Barata Gomes e Marcelo Raupp, diretores da UNQ.

Benefícios culturais

Além dos benefícios tributários, a relação trabalhista é mais justa, sem a interferência de sindicatos e com encargos mais condizentes com a realidade empresarial. Em geral, as negociações são feitas diretamente entre empregado e empregador, dentro dos objetivos de cada um. Os encargos são divididos entre ambos, sendo 16% para o empregador e 9% para o empregado, uma carga bem abaixo do que temos no Brasil.

Outros benefícios também são percebidos, como a redução de custos de energia e aluguel. Hoje, o custo de energia no Brasil é um dos mais caros do mundo e no Paraguai este custo cai em média 65% pela abundância proveniente de Itaipu.

Propina institucionalizada

Se temos reclamado da corrupção no Brasil, ir ao Paraguai nos dá uma sensação diferente. Lá, a propina é institucionalizada e acontece com o conhecimento de todos. No Brasil, o corrupto fica à espreita, aguardando o momento de aproveitar o dinheiro público. Embora negativa em todas as circunstâncias, a grande diferença é que a ciência da propina do outro lado permite planejar o custo sem todos os danos indiretos com a intensidade como acontece aqui.

Para a importação no Paraguai, por exemplo, há um custo oficial para os agentes da aduana. Caso o protocolo não seja atendido, o processo fica parado por longo tempo. Por isso, todos sabem, todos pagam e os processos continuam com a institucionalização dos pagamentos extras. É a típica adequação ao sistema. Quem estiver interessado em usufruir dos benefícios paraguaios, precisará entender as características locais e se adequar da melhor forma possível. Felizmente, aqui em Santa Catarina, contamos com a seriedade dos agentes aduaneiros neste sentido.

Resultados de uma oportunidade bem aproveitada

Fazer uma mudança desta natureza demanda planejamento e especialização. Embora a logística seja complexa, os resultados das empresas têm sido até 35% melhores se comparados com a produção exclusiva por aqui. É claro que a empresa candidata a instalar uma planta no Paraguai precisa encontrar a melhor alternativa para o seu negócio. Todos os benefícios tributários e culturais cobram uma contrapartida e, para evitar surpresas futuras, a análise do bônus e do ônus de cada um é fundamental.

Se você não é especialista, o interessante é consultar alguém que possa encontrar as melhores soluções. Certamente, o mercado cobra altos preços de aventureiros, mas premia os empresários com visão empreendedora diferenciada.

Mais informações:

marcelo.raupp@unq.com.br

www.unq.com.br | www.omundodosnegocios.com.br