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Economia

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VÍDEO: Estagnado no tempo, sistema integrado completa 20 anos

Ativado no feriado da Independência, modelo não se regionalizou

07
SET
2016
| 19h50
19h50
Redação
Jornalista | Portal Engeplus
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Acervo PMC 1993-96

ESPECIAL / NEI MANIQUE

Há exatos 20 anos, o desfile cívico do Dia da Pátria era encerrado na Avenida Centenário por "personagens" familiarizados com outro tipo de parada. Mal estudantes e fanfarras liberaram a pista, um comboio de ônibus amarelos e brancos perfilou-se diante do público e do palanque de autoridades. Estava ativado o Sistema Integrado de Transporte Coletivo.

A véspera já fora movimentada. No final da tarde do dia 6, o prefeito Eduardo Moreira e seu vice Anderlei Antonelli inauguraram os terminais dos bairros Pinheirinho e Próspera. À noite, um megaevento entregou o Terminal Central, uma obra - destacavam as placas inaugurais - que a "engenharia social fez para a sociedade encontrar-se consigo mesma".

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Implantar um sistema com 72 veículos alimentadores (os ônibus brancos, ligando bairros a terminais) e 17 troncais (os amarelinhos, até hoje rodando entre terminais) não foi fácil. "Não dormi a noite toda", recorda o vice-governador Eduardo. "Enfrentamos uma oposição muito forte de lojistas e até da Acic de forma oficial pelos transtornos no trânsito."

FROTA EM 1996
72 ônibus alimentadores (brancos) e 17 troncais (amarelinhos)

FROTA EM 2016
98 ônibus alimentadores (brancos) e 19 troncais (amarelinhos)

(Fonte: Expresso Coletivo Forquilhinha Ltda)

A decisão favorável veio da periferia, conta ele. "A principal obra seria no centro, mas os usuários residiam nos bairros. Levamos a discussão para lá com o programa Boa Noite, Prefeito!, criado para ouvir a população. A motivação maior surgiu porque no antigo terminal as pessoas tinham que atravessar a avenida e ocorriam muitos atropelamentos."

O primeiro sistema integrado no estado, atribui Eduardo, teve a digital do secretário de Planejamento, Fábio Carpes, hoje residente em Florianópolis. "Quando prefeito de Joinville, o Luiz Henrique veio a Criciúma conhecer o projeto e o implantou lá. Pena que a fase seguinte, com um terminal no Rio Maina e a transferência da Rodoviária para a Primeira Linha, nunca foi executada."

Financiada pelo Badesc, a implantação do sistema foi orçada em R$ 2,5 milhões. Custou o triplo e levou mais de dois anos para ser concluída, coincidindo com o final da gestão de Eduardo. "Apesar do atraso, atendemos cerca de 75 mil usuários e dezenas de coletivos deixaram de rodar 8 mil km por dia na Centenário", registra.

Se jamais desdobrou-se dentro do município, outra fase posterior importante do sistema, a da integração com cidades vizinhas, tampouco foi cogitada. "Nos últimos anos, a cidade careceu de um órgão que se responsabilizasse por esse processo, mas hoje estamos em estágio bem avançado", garante o atual secretário de Planejamento, Jader Westrup.

A integração intermunicipal permitirá que um usuário de Forquilhinha vá "até o Balneário Rincão sem desembarcar do ônibus", exemplifica Jader. "O projeto que estamos desenvolvendo inclui terminais no Rio Maina e na Quarta Linha. O desafio é enfrentar a queda no número de usuários, o que encarece a tarifa."

O aumento do poder aquisitivo da população nos últimos 10 anos, aponta o secretário, mudou o cenário socioeconômico. "Muita gente adquiriu carro ou moto e deixou de utilizar o sistema. Ainda assim, temos nos empenhado em evitar majorações excessivas, tanto que neste ano o reajuste ficou abaixo da inflação."

TOTAL DE USUÁRIOS / DIA EM 1996
75 mil passageiros

TOTAL DE USUÁRIOS / DIA EM 2016
50 mil passageiros

(Fonte: Expresso Coletivo Forquilhinha Ltda)

Há controvérsias, claro. "O único problema, a meu ver, é o preço da passagem", questiona o usuário e trabalhador autônomo Fernando Esmera, residente na Próspera. "Muita gente aqui no bairro prefere ir a pé até o Centro do que pagar R$ 3,75. No resto, o sistema é 100%", completa.

Poucas opções em horários de pico também são lembradas como entraves, salienta o fotógrafo Aires Cardoso. "Das sete da manhã às 8:30, das 11:30 à uma e meia, e das seis às seis e meia da tarde precisa de mais horários. O fluxo é muito grande e aí vai um monte de gente. O sistema é bom, mas também fazem falta os painéis com horários que havia antes."

Ao longo dos 20 anos, o sistema integrado revelou-se um "ganho para a sociedade", avalia o sindicalista e membro do Mutuc (Movimento de Usuários do Transporte Urbano de Criciúma), Edegar Generoso. "Serve de modelo para a região e outras cidades do país, mas a tarifa está muito cara", critica. "A forma de custeio precisa ser reformulada."

Membro também do Conselho Municipal de Transporte, Edegar entende que o "modelo sobre quilômetro rodado acaba onerando apenas quem usa o sistema. Este custo tem que ser partilhado também por quem não usa, criando-se um fundo com a arrecadação do estacionamento rotativo. Anualmente, esse fundo evitaria reajustes e com o tempo reduziria a tarifa."

(Imagens: Acervo Secom / PMC 1993-1996)

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