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Para o Criciúma, o acesso à Série B tem um peso muito maior do que o valor esportivo

Neste domingo, Tigre inicia a caminhada na 2ª fase da Série C do Campeonato Brasileiro
Para o Criciúma, o acesso à Série B tem um peso muito maior do que o valor esportivo
Foto: Celso da Luz / Criciúma EC
Por Eduardo Madeira Em 02/10/2021 às 16:05

É clichê, mas é verdade. Os seis jogos do Criciúma na 2ª fase da Série C do Campeonato Brasileiro serão seis finais. É uma etapa de tiro curto e, claro, onde estará em jogo o acesso à 2ª divisão. O peso esportivo já é alto, mas para o Tigre, há um valor institucional que torna este momento ainda mais importante.

O ano de 2022 do Criciúma já começará indigesto com uma indesejada participação na Série B do Campeonato Catarinense. Agora, imagine você se depois de participar da segundona do Estadual, o Tigre tenha que encarar, mais uma vez, a Série C? É um prejuízo enorme e difícil de reparar.

Quando falo em “prejuízo”, óbvio que cito a questão financeira (afinal, quem vai querer aliar sua marca a um clube de Série C nacional e B estadual?), mas destaco principalmente o dano institucional. O Criciúma levou muitos anos para construir a história que construiu e, mesmo longe da capital, desenhou uma trajetória única e digna de respeito. Só que tudo isso se torna irrelevante se o momento atual não refletir o que foi construído em décadas anteriores. A imagem estará arranhada.

Me atrevo a dizer que entre os quatro times do grupo onde o Criciúma está inserido, o Tigre é o que tem a maior pressão pelo acesso. Talvez o Paysandu sofra algo parecido, principalmente por ver o Remo, seu maior rival, jogando a Série B. Mas, ainda assim, o Papão é uma potência no norte do país, lota os estádios onde joga e é uma força dominante no Pará. E o Criciúma? Não vence o Estadual desde 2013. A outra vez foi em 2005. Perdeu relevância e espaço entre os grandes e amargará a 2ª divisão catarinense em 2022. Se não subir para a Série B nacional, não tenham dúvidas: muitos colocarão no lixo a trajetória desenhada pelo agora técnico Paulo Baier, sendo ele culpado ou não pela sequência na Série C.

Por isso, esses seis jogos são tão importantes. São eles que vão medir o humor do torcedor do Criciúma no primeiro semestre do ano que vem. Subindo, o Estadual de 2022 não será tão indigesto, já que virá uma Série B de Brasileiro pela frente. Ficando na C, será o início de um ano infernal.

Que haja uma mobilização interna dentro do Criciúma, independente de ela partir do presidente Anselmo Freitas ou do próprio Paulo Baier. Os jogadores precisam ser envolvidos numa atmosfera de decisão, compreender o momento e o que está em jogo nessas seis partidas. O acesso será bom esportivamente, sem dúvidas. Mas, acima de tudo, vale o resgate da imagem e do respeito do Criciúma como um clube relevante que sempre foi.

Twitter: @omadeirinha / Instagram: @omadeirinha

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