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Nunca veremos um outro Zé Carlos pelo Criciúma

O atacante, ídolo do Tigre, pendurou as chuteiras aos 38 anos de idade
Nunca veremos um outro Zé Carlos pelo Criciúma
Foto: Fernando Ribeiro / Arquivo Criciúma E.C.
Por Eduardo Madeira Em 22/06/2021 às 08:25

O ano de 2012 foi um dos mais marcantes da história recente do Criciúma. Foi o ano de um desempenho sofrível no Campeonato Catarinense, mas que acabou em alta com o acesso à Série A. Em campo, um time que despertou amor e ódio, euforia e preocupação, mas que levou a região a uma catarse coletiva ao término dos 90 minutos da histórica partida contra o Atlético Paranaense, que carimbou o passaporte para a elite nacional. E uma das figuras que personificou aquela temporada foi Zé Carlos.

Num campeonato que tinha Walter e Ricardo Goulart no Goiás, Marcelo Cirino no Furacão e o veterano Fábio Júnior no América Mineiro, coube ao “Zé do Gol” terminar no topo do ranking de artilheiros com 27 gols em 30 jogos. Posicionamento apurado, imposição física na área e habilidade em espaços curtos eram apenas algumas das virtudes que tornaram o alagoano de Maceió em um dos mais importantes jogadores da história do Criciúma.

Zé foi o retrato fiel do que foi o time de 2012. Um verdadeiro tigre dentro das quatro linhas. Devorava a bola e matava a sua fome com gols, mas, por vezes, passava do ponto. Foram dez cartões amarelos naquela Série B, além de um vermelho. Mas, no fim, todo mundo passava pano pra tudo isso, afinal de contas, como reclamar de quem entregou quase um gol por partida e resolvia jogos em um simples chute potente de pé direito?

E não nos esqueçamos de 2018. Já em baixa na carreira, com a condição física longe da ideal, conseguiu fazer poucos, mas fundamentais gols na campanha da Série B e se despediu do clube com um tento importante contra o Sampaio Corrêa, na última rodada, na partida que evitou o rebaixamento para a 3ª divisão naquela ocasião. Foi o último ato dele pelo clube.

Tudo isso que Zé do Gol fez na década passada deixou uma série de viúvas no Criciúma. Bastava uma fase ruim ou uma seca de um atacante que surgia o burburinho para a sua volta. Por exemplo, no fim do Estadual deste ano, com o rebaixamento e o desempenho ruim dos atacantes do time, houve até a tentativa de lançar uma campanha para o retorno de Zé.

A ideia não colou e, convenhamos, o melhor fim ainda é esse, com a aposentadoria e a saída de cena do ídolo. Zé Carlos poderá descansar, focar em outras coisas e o Criciúma deixa para trás uma história que já foi escrita e não precisa de novos capítulos. O centroavante já escreveu uma fábula fantástica, digna de best-seller, com um personagem único. Nunca haverá outro Zé do Gol vestindo a camisa carvoeira. Até vão vir novos ídolos, mas com características e perfis diferentes. Como Zé, nenhum outro.

Twitter: @omadeirinha / Instagram: @omadeirinha