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Cláudio Tencati não tem o que perder ao vir para o Criciúma

Em baixa na carreira, novo comandante carvoeiro assume o Tigre mirando a Série B
Cláudio Tencati não tem o que perder ao vir para o Criciúma
Foto: Carlos Insaurriaga / GE Brasil / Arquivo
Por Eduardo Madeira Em 06/10/2021 às 09:30

A escolha do substituto de Paulo Baier no comando do Criciúma veio pouco mais de 30 horas depois do anúncio da ainda inexplicável demissão. Cláudio Tencati, desempregado desde julho quando foi embora do Brasil de Pelotas, chega já com a pressão de ter cinco decisões pela frente na Série C do Campeonato Brasileiro. Uma aposta surpreendente do Tigre, com um nome que não tem nada a perder ao vir para o Sul do Estado.

Tencati é um técnico que virou lenda no Londrina. Trabalho longevo de 2011 a 2017, tirou o time da Série D levou para a B e por pouco não parou na A. Foi campeão paranaense e da extinta Copa da Primeira Liga e obteve um aproveitamento de 57,62% em 269 jogos. Mas parou por aí. O técnico de 48 anos não vingou no Atlético Goianiense (48,4%), durou sete jogos no Vitória (23,8%), outros oito na segunda experiência no Londrina (12,5%) e fez um trabalho bastante irregular no Brasil (39,5%), clube que deixou nas últimas colocações da Série B.

E um detalhe interessante é que somando os jogos de Tencati de 2019 para cá, o aproveitamento é muito baixo. Levando em conta as partidas por Série B (Vitória, Londrina e Brasil), Copa do Nordeste (Vitória) e Campeonato Gaúcho (Brasil). ele venceu apenas 14 das 58 partidas disputadas (além de 17 empates, 27 derrotas e um aproveitamento de 33,9%). De quebra, seus times marcaram 47 gols, média inferior a um por jogo.

Claro, ele carrega um histórico de acessos no Londrina, mas num contexto diferente. O trabalho era longo, o Tubarão já estava há muito tempo longe das principais divisões e o clube tinha um suporte grande da família Malucelli, que gere a equipe até hoje; Tencati era braço direito dos gestores do clube. Só que o recorte mais recente da carreira dele, aquele que nós devemos nos basear para projetar a passagem pelo Criciúma, não é nada bom e só levanta interrogações.

Ou seja, depois da badalação no Londrina, Tencati vem para Criciúma em baixa na carreira, sabendo que assumir o Tigre a cinco jogos da Série B é a chance de tentar dar uma guinada na trajetória profissional. Subindo, reaparece no mercado após uma série de trabalhos ruins sem ter, exatamente, um trabalho autoral, já que foi o bombeiro chamado para apagar o incêndio que a própria diretoria carvoeira acendeu. Não atingindo o objetivo, segue na mesma e com o adendo de não ter culpa nenhuma em um eventual insucesso carvoeiro. Ele só tem a ganhar.

Olhando do ponto de vista do Criciúma, pode dar qualquer coisa. Subindo, a diretoria bate a meta e ainda poderá olhar muita gente de cima para baixo após as críticas recebidas na demissão de Baier. Se não subir, a troca de técnico virará um fardo a ser carregado por Anselmo Freitas por muito tempo.

Agora, só não esperem poção mágica vindo do Tencati. Quem aguarda uma revolução, jogadores barradores, nova formação tática, jeito diferente de jogar, certamente sofrerá um tombo daqueles. Os times do novo treinador do Criciúma jogam parecido do que estávamos vendo nos últimos meses: força pelas laterais, muitos cruzamentos e dificuldade para propor o jogo, apostando muito nas transições rápidas.

Até mesmo o sistema tático, que muita gente apontava o dedo ignorando a estratégia de jogo (sempre gosto de ressaltar: o esquema, independente de qual seja, é o ponto de partida e não o ponto final para entender qual a postura de um time) costuma ser o 4-2-3-1, que Baier tanto utilizou por aqui. O que difere é o próprio conhecimento do plantel. Baier sabia o que podia tirar e quem podia explorar, afinal, participou da montagem do time. O bombeiro Tencati correrá contra o tempo para fazer isso.

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