InternetData CenterAssinante

Baier emula Criciúma de 2003 para quebrar incômodo tabu como visitante

A exemplo de 2003, Tigre adotou o sistema com três defensores
Baier emula Criciúma de 2003 para quebrar incômodo tabu como visitante
Foto: Celso da Luz / Criciúma EC
Por Eduardo Madeira Em 16/08/2021 às 11:10

Após a derrota por 3 a 0 diante do Ituano, Paulo Baier deixou claro que não via com maus olhos uma mudança de esquema ou estratégia para jogos fora de casa. Afinal de contas, o Criciúma não vencia como visitante desde julho de 2020 e longe de Santa Catarina desde novembro de 2019. Somado a isso, oito dos dez gols que o Tigre sofreu na Série C do Campeonato Brasileiro foram jogando como visitante. A alternativa encontrada pelo treinador foi através de uma fórmula que ele mesmo vivenciou como atleta em 2003, ainda na Série A.

Naquele ano, atual campeão da Série B, o Criciúma era novato na elite nacional e, naturalmente, visto como saco de pancadas. Após um começo ruim sob a batuta de Edson Gaúcho, Gilson Kleina assumiu o comando do time para ‘tapar buraco’ antes da chegada de Lori Sandri. A alternativa que ele encontrou para fazer o time render mais foi adotar o sistema com três zagueiros.

Kleina estreou contra o Goiás, no Serra Dourada, e a linha defensiva foi formada por Cametá, Duílio e Luciano. Resultado? Vitória por 2 a 0, com gols de Paulo Baier e Luciano Almeida - técnico e auxiliar do time atual - que naturalmente tiveram mais liberdade para atacar no novo sistema de jogo.

Esse sistema com três zagueiros virou padrão a partir dali. A melhor fase do Criciúma naquela Série A foi jogando assim. Claro, estamos falando de uma época onde não só o jogo era diferente, como a qualidade do elenco era outra. Imagine só o treinador ter à disposição Baier e Almeida nas laterais? Dejair brilhando sempre que se aproximava da área? Douglas surgindo? Foi um grande time pro padrão Criciúma e o sistema encontrado por Kleina foi o melhor para acomodar essas peças.

Em 2021, a solução achada por Baier contra o Ypiranga, em Erechim, foi parecida. Colocou Jessé praticamente como um líbero. Se enfiou entre Rodrigo e Marcel, como um terceiro zagueiro, e muitas vezes essa linha teve cinco defensores, apesar de em alguns momentos Jessé se colocar à frente da zaga.

Vale lembrar que a mexida também teve um viés circunstancial. Baier perdeu Alemão, seu lateral direito, e Claudinho, que foi a opção, notoriamente não é um exímio marcador e chegou a ser meia na base, o que indica a veia ofensiva. Do outro lado, Helder, por mais que não comprometa na defesa, é uma excelente arma ofensiva. Os meio-campistas Dudu Vieira e Arilson, por mais que tenham bom entendimento na defesa, não são altos - 1,76 e 1,80m, respectivamente. Escolher por Jessé, que tem 1,85m, deu ganho na bola aérea e liberdade para os dois alas.

E a mexida de Baier teve um resultado bem nítido: o lance do gol. Claudinho, mais livre para subir, cruzou da direita e Helder, com liberdade semelhante, apareceu no segundo poste para marcar de cabeça. Nos jogos anteriores, era difícil os dois laterais subirem juntos, afinal, era necessário fazer o balanço defensivo. Com Rodrigo, Jessé e Marcel na cobertura, esse movimento simultâneo ficou facilitado e o gol decisivo veio, encerrando um incômodo jejum.

O mais importante é que Baier encontrou opções. Não imagino que o sistema com três zagueiros vá ser o principal a partir de agora, mas creio que ele percebeu ter alternativas para resolver alguns problemas pontuais. Sempre foi necessário - e continua sendo - entender porque o Criciúma tem tanta dificuldade para jogar fora de casa, mas, mais do que isso, é preciso encontrar soluções para esse problema, mesmo que fosse emulando algo que o próprio Baier viveu dentro de campo.

Twitter: @omadeirinha / Instagram: @omadeirinha