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Por coerência, as críticas não podem recair só na qualidade do elenco do Criciúma

Elogiado no início, treinador também precisa ser cobrado pela queda de rendimento
Por coerência, as críticas não podem recair só na qualidade do elenco do Criciúma
Foto: Celso da Luz / Criciúma EC
Por Eduardo Madeira Em 23/09/2020 às 08:30

A qualidade do trabalho de Roberto Cavalo no comando do Criciúma ganhou as rodas de discussão nos últimos dias, seja entre torcedores ou nos veículos de imprensa. Ecoam os pedidos pela troca do treinador, enquanto há quem exima o chefe da Comissão Técnica de maiores responsabilidades. Ao que se sabe até aqui é que só uma hecatombe fará a diretoria do clube mexer no comando técnico, por isso, longe de especulações, é preciso sempre construir as ideias em cima do que se vê no cenário atual.

Mas discussão vai e vem e, naturalmente, ela chega na força do elenco que Cavalo tem a disposição. Aliás, a qualidade do plantel do Criciúma virou um coringa para quem entende que o treinador talvez seja o menor dos culpados pela fase do Tigre, afinal, “o elenco é ruim”, argumentam.

Será?

Para entrar em qualquer análise sobre a força do plantel do Criciúma, é preciso pensar no contexto da Série C do Campeonato Brasileiro. Não dá para cravar que é ruim e deu, ignorando o cenário onde o Tigre está inserido. Fazer isso é analisar de maneira bem superficial e de forma incompleta.

Se o contexto é fundamental nessa análise, o que é preciso ser visto na Série C? Acima de tudo, times bem mais modestos do que víamos na Série B (que mesmo tendo nível técnico baixo, ainda tinha clubes com investimentos discrepantes e sempre surge algum talento com potencial). Por isso que quando se fala que “o elenco do Criciúma é muito ruim” precisa se colocar na conta, por exemplo, a comparação com o Ypiranga, o Ituano, o Volta Redonda, o São José… 

Não adianta colocar a régua lá em cima quando o limite deveria estar na ponta oposta. E, convenhamos, olhando o contexto da Série C e comparando com os rivais, o Criciúma não pode se queixar tanto quanto ao seu elenco. Tem um goleiro estava na elite no ano passado, uma dupla de volantes habituada a Série B, o vice-artilheiro do último Campeonato Gaúcho… Não são jogadores desprezíveis.

“O elenco, então, é bom?”, você pode me perguntar. Não diria “bom”, mas, sim, “padrão Série C”. Não sobra entre os melhores, mas não pode ser considerado o pior time do mundo. Está na média do que encontramos na Série C. Há carências, terreno comum para os demais adversários.

E aí o lugar que eu queria chegar. Quem minimiza a responsabilidade de Cavalo no rendimento ruim do Criciúma nos últimos meses - excetuando o promissor começo de Série C, que logo virou pó após os dois jogos mais recentes - normalmente cita a qualidade do elenco. Mas o que os adversários de grupo tem que o time de Cavalo não tem, a ponto de alguns jogarem mais? Ituano e Ypiranga atuaram muito melhor que o Tigre nas últimas duas rodadas e arrancaram pontos, por exemplo. Não pode ser só material humano.

O Criciúma vem tendo dias e dias para treinar, muito mais do que teve na Série B do ano passado e no estadual mais recente. O trabalho de campo, no dia a dia, pode ser feito com calma, critério e paciência e o Tigre, que começou bem o campeonato, vem jogando menos a cada semana que passa. Logo, se quando houve a mudança na estrutura tática no começo da Série C, todos nós elogiamos as decisões de Cavalo, me parece coerente observar que quando falta desempenho e resultado, há também uma boa dose de responsabilidade do treinador.