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É o Criciúma percebendo seu papel dentro da sociedade

Com o futebol parado, clube age se colocando à disposição para ajudar
É o Criciúma percebendo seu papel dentro da sociedade
Foto: Thiago Hockmüller / Arquivo Engeplus
Por Eduardo Madeira Em 01/04/2020 às 16:20

De uma gestão errática na esfera esportiva, Jaime Dal Farra mudou totalmente o jogo diante da crise do coronavírus e, enfim, parece ter percebido o papel importante que o Criciúma exerce na região. Depois de disponibilizar a estrutura do Centro de Treinamentos para a Prefeitura, agora foi a vez de deixar o estádio Heriberto Hülse a disposição do exército para um hospital de campanha, além de lançar a campanha “Alma, Garra e Doação”. Excelentes iniciativas que mostram que o mandatário carvoeiro percebeu a importância social que o clube tem.

Mais do que o viés esportivo, o Criciúma Esporte Clube é uma representação regional. Muito do reconhecimento que o Sul catarinense tem, deve ao time, que levou o nome da cidade para os quatro cantos do país ao longo dos tempos. Há ainda uma veia de pertencimento, de se sentir parte de algo. “Torço para o Tigre, logo, sou da região, pertenço a esse time e a esse lugar”. Seria quase como fazer parte de um grupo ou de uma família. E se você, dentro do possível, está ajudando quem mais necessita, por que o clube que você torce não pode fazer o mesmo?

E assim está sendo feito. Especialmente a campanha que será lançada na próxima semana - será adotado o sistema drive-thru, onde a pessoa vai até o Heriberto Hülse, doa uma cesta básica e recebe um frasco de álcool em gel - foi muito bem pensada. Une uma necessidade para esta época, que é o material para higienização, e recebe de contrapartida do torcedor doações que vão ajudar demais quem precisa trabalhar hoje para ter o sustento de amanhã e ficou impossibilitado devido a quarentena.

Repito: é o Criciúma percebendo a importância que tem para sociedade. É o time que leva a marca de grandes empresários na camisa e em placas publicitárias, mas é também o que faz o cidadão que ganha um salário mínimo se apertar com as contas no fim do mês porque decidiu comprar um ingresso de uma partida importante ou adquirir produtos do clube para presentear os familiares. Também é para essas pessoas que o clube deve satisfação a cada resultado ruim ou ação que promove.

Quando falam que “o futebol é mais do que um jogo”, é por situações como essa. O Criciúma poderia muito bem ficar quietinho, na dele, esperar tudo passar, se virar com os salários de jogadores e funcionários e fingir que nada aconteceu quando as partidas fossem retomadas. Mas não foi pensado dessa maneira. Dal Farra, que merece, sim, ser muito criticado na esfera esportiva, agiu bem num momento crítico para a sociedade e colocou o clube como personagem ativo e válvula de escape importante para o poder público.