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Futebol, coronavírus e a terra do ‘quem não chora não mama’

Federação e SC Clubes espernearam e Governo voltou atrás com veto ao Estadual
Futebol, coronavírus e a terra do ‘quem não chora não mama’
Foto: Rafaela Custódio / Arquivo Engeplus
Por Eduardo Madeira Em 27/07/2020 às 15:35

Desde o começo da pandemia de Covid-19, o Governo do Estado tem se mostrado muito suscetível a pressões externas. Uma restrição reflete em gritaria e reclamações de quem tem ganhos financeiros com determinado setor e, logo, essa medida vira um nada em meio a tantas flexibilizações. Agora foi a vez do futebol e o Campeonato Catarinense.

Depois do vexatório retorno no começo de julho, com uma série de casos de coronavírus surgindo na maioria dos clubes da 1ª divisão, o Governo do Estado autorizou, pela segunda vez, a volta da competição já nesta semana, não sem antes confundir a cabeça de todo mundo. Barrou a competição na sexta, viu os clubes espernearem no sábado e, então, voltou atrás no domingo.

Alguém entendeu a lógica? Afinal de contas, o que aconteceu em menos de 48 horas para que o Estado mudasse de ideia?

Beira a indecência o que acontece em Santa Catarina, estado onde as mortes mais crescem no Brasil - segundo o Consórcio de Veículos de Imprensa. Regiões estão ampliando restrições. Hospitais correm desesperadamente atrás de leitos de UTI e de profissionais de saúde. Fatalmente chegaremos a mil óbitos nesta semana. E o que estará acontecendo em algumas cidades catarinenses? Teremos futebol.

Olha que beleza! 

Convenhamos, Federação Catarinense de Futebol (FCF), Associação de Clubes (SC Clubes) e Governo do Estado desrespeitam quem gosta de futebol, desrespeitam os times e atletas que se colocam em risco, mas, acima de tudo, desonram os que se foram em decorrência da doença. "Azar de quem está sofrendo - e não são poucos. Eu quero é ver a bola rolando, já que o calendário é o mais importante".

“Ah, mas a vida tem que continuar”, dirão.

Sem dúvidas! Não sem antes controlar a pandemia, fornecer condições sanitárias para que haja futebol com segurança. Ou por acaso o futebol voltou na Europa com a curva de casos e óbitos em alta? Na Ásia voltou como? Qual o sentido de observar o que deu certo em outros cantos do planeta e fazer exatamente o contrário?

Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso percebe que não há condições sanitárias e nem de ambiente esportivo - afinal de contas, o que vai mudar na nossa vida saber quem será o campeão catarinense de 2020? - para ter futebol nas próximas semanas. Na contramão, o Governo do Estado, sedento por um apoio em meio ao processo de Impeachment, precisa ceifar vidas para garantir o próprio pescoço.

E os clubes que patrocinam isso? Bem, esses nem é preciso falar da bolha que vivem. Eles apenas se aproveitaram do cenário caótico que vive Santa Catarina, afinal de contas, a resposta para conseguirem o que querem do Governo estadual é bem simples e cabe num ditado bem popular: quem não chora não mama.