InternetData CenterAssinante

Era uma vez na Série A: Galatto versus Ceni e o Tigre calando o Morumbi

Em 2013, Criciúma bateu o São Paulo, mas foi pênalti perdido por Ceni que virou história
Era uma vez na Série A: Galatto versus Ceni e o Tigre calando o Morumbi
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Por Eduardo Madeira Em 08/05/2020 às 09:20

O Entrando de Carrinho inaugura nesta sexta-feira, dia 8, o especial “Era uma vez na Série A”. Nas próximas semanas, sempre no último dia útil da semana, você vai relembrar cinco histórias de jogos do Criciúma na elite do futebol brasileiro, com detalhes contados pelos personagens principais dessas ocasiões. A primeira lembrança é relativamente recente, nos remete a 2013, ano em que o Tigre foi até o Morumbi, bateu o São Paulo e fez Rogério Ceni guardar péssimas recordações de Rodrigo Galatto, que gentilmente conversou com a coluna e relembrou aquele dia.

Recorde aquela partida:

Sim, confronto direto

Era 5 de setembro de 2013, uma quinta-feira, antevéspera do feriado de Independência.

Após dez anos, o Criciúma voltava a uma disputa de Série A do Campeonato Brasileiro e após quase um turno concluído, alternava altos e baixos. Era o 13º, com 20 pontos, e já tinha trocado de treinador. Vadão, campeão catarinense, não suportou o começo ruim e foi demitido após 15 jogos. Sílvio Criciúma veio ao resgate, emendou vitórias sobre Coritiba e Vitória e foi para São Paulo já fora da zona de queda, a frente de times poderosos do futebol nacional, como Vasco, Flamengo, Fluminense (na época, atual campeão brasileiro) e o adversário daquela noite no Morumbi, o São Paulo.

O Tricolor Paulista, aliás, vinha numa terrível maré. Estava em 17º, dentro da zona de rebaixamento, com apenas quatro vitórias em 17 jogos. Assim como na Libertadores de 1992, o encontro entre paulistas e catarinenses seria um confronto direto, mas com uma causa muito menos honrosa do que nos duelos continentais dos anos 90.

Aquele Criciúma, em especial, tinha como figura importante o goleiro Galatto. Já experiente, com 31 anos, chegou ao Tigre após o título estadual, vindo do CRB. Lesionado, começou na suplência de Bruno, mas assumiu a titularidade após a troca na comissão técnica. E foi no Morumbi que o goleiro, que ficou conhecido na famosa Batalha dos Aflitos, em 2005, daria seu recado aos criciumenses.

Momento chave

Estávamos aos 17 minutos do 2º tempo. O surpreendente Criciúma vencia por 2 a 0, gols de Marcel e Lins ainda na etapa inicial. Foi quando Aloísio invadiu a área e acabou derrubado pelo próprio Galatto. Pênalti indiscutível e que poderia colocar tudo a perder.

A chance de recolocar o São Paulo no jogo seria de Rogério Ceni. Capitão, ídolo tricolor e lenda entre os goleiros, caberia a ele vencer o arqueiro criciumense. Antes, no 1º tempo, no primeiro embate entre os dois, Galatto já havia levado a melhor em uma cobrança de falta. Pena para os são-paulinos que a história se repetiria mais uma vez.

Ceni bateu forte, no canto direito, mas a meia altura. Galatto voou firme, no tempo certo, e rebateu para a linha de fundo. “Me lembro que no dia anterior vi lances dele batendo pênalti e o Rogério não batia no mesmo lugar, ele diversificava. Então, fui feliz em corrigir um erro meu”, contou o dono da camisa 1 do Tigre naquela noite.

E se…

O que poucos se recordam daquele lance em si é que, por muito pouco, Ceni não bateu. Ele já havia perdido dois pênaltis em jogos recentes e quando Aloísio foi derrubado na área, o próprio ‘Boi Bandido’ agarrou a bola para a cobrança. Uma frase de Galatto e a pressão da torcida fizeram a história seguir o rumo que teve.

“Quando foi marcado o pênalti, quem bateria seria o Aloísio, o Boi Bandido, que foi meu colega no Grêmio. Nós jogamos juntos e falei pra ele: ‘eu sei onde tu bate’. Aí a torcida começou a gritar e o Rogério veio”, relembrou Galatto. “E até comentei com o Bruno [goleiro reserva] que o Rogério Ceni não se abalaria [com os pênaltis perdidos antes]. Não teria porque ele se abalar. Tive que ter calma, concentração e não sair antes para evitar o gol”, completou.

O Criciúma ainda tomaria um gol de Aloísio minutos depois, mas conseguiu segurar o 2 a 1 e trouxe os três pontos para Santa Catarina. Mas quem levou mesmo boas lembranças foi Galatto. “Conversando com um amigo, ele me disse que um pênalti marcante foi esse com o Rogério pelo momento que vivíamos e pela afirmação que eu precisava num clube de Série A. Aquele pênalti foi um símbolo na minha carreira”, admitiu o goleiro que também é lembrado no Grêmio pelo pênalti defendido na Batalha dos Aflitos.


Foto: Ivan Pacheco/VEJA

Sete anos depois

Aos 37 anos de idade, Galatto não joga mais profissionalmente. Ele vive em seu estado natal, o Rio Grande do Sul, e já prepara outros planos na área profissional. O ex-goleiro está concluindo a faculdade de Educação Física e pretende preparar jovens goleiros antes de eles ingressarem em clubes profissionais. Certamente, todos esses garotos vão ouvir lembranças do arqueiro gaúcho de noites como aquelas vividas em setembro de 2013.