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Entendam, dirigentes: protocolo não é o “colete salva-vidas” contra a Covid-19

O protocolo para a volta do futebol em SC virou o alvo principal dos cartolas
Entendam, dirigentes: protocolo não é o “colete salva-vidas” contra a Covid-19
Foto: Chapecoense/Divulgação
Por Eduardo Madeira Em 15/07/2020 às 08:30

“Protocolo” virou a palavra mais falada no futebol catarinense nos últimos meses. Mais do que estratégias, táticas, dribles e gols, foi esse termo, que até pouco tempo atrás não tinha nada a ver com o esporte bretão, que virou a coqueluche entre dirigentes. A febre “protocolar” foi tão grande que esse documento tem sido tratado por muita gente como o grande vilão para o insucesso da volta do Campeonato Catarinense - que foi novamente suspenso após uma série de casos nos times que participam da competição.

Só que atirar pra cima do protocolo é o mais fácil. O protocolo não é uma pessoa, não vai se defender. O máximo que vai acontecer é uma revisão ou, no máximo, ele vai ser jogado fora. Não à toa, a nova reunião para tratar do assunto, realizada nesta terça-feira, dia 14, estabeleceu como principais mudanças a exigência de exames RT-PCR nos jogadores e membros das comissões técnicas até 48 horas antes das partidas e o afastamento somente de quem tiver casos positivos. O protocolo anterior não exigia testes prévios, mas cobrava o afastamento de quem tivesse contato com pessoas confirmadas com a Covid-19. A ideia é ter jogos ainda neste mês de julho.

Alguns pontos precisam ser postos na mesma. O primeiro deles é saber como anteriormente não havia essa exigência dos exames antes dos jogos. No mais, soa estranho afastar só o profissional infectado. Além de deixar no ar a suspeita de outras contaminações, afinal de contas, essas pessoas trabalham em grupo, essa medida demonstra um desleixo bem grande com duas situações: 1) esses atletas possuem famílias. Eles se isolam em casa e que se virem sozinhos, enquanto o clube segue a vida? Onde está a tal preocupação com a saúde?; e 2) preocupa a normalização da Covid-19. É preciso parar de achar que afastar um atleta por diagnóstico positivo do coronavírus é como tirar de um jogo um jogador que sofreu uma lesão muscular. 

Não dá para tratar normalmente!

Por fim, só gostaria de deixar uma pergunta no ar para os dirigentes e médicos que estão discutindo a sequência do Campeonato Catarinense: observando os dados da Covid-19 em Santa Catarina, sejam os novos casos, os índices - cada vez mais elevados - de internação e os óbitos, alguém mesmo imagina que a pandemia estará controlada nas próximas semanas? Que haverá condições sanitárias para a bola rolar? Hoje, projetar futebol com segurança ainda em julho nada mais é do que dar murro em ponta de faca.  

Têm municípios cogitando lockdown mais uma vez e os cartolas estão tratando o protocolo como um “colete salva-vidas” do futebol. Há uma semana classifiquei a volta do Campeonato Catarinense como uma “insanidade”. Agora, retifico o que disse: o que Federação Catarinense de Futebol (FCF), SC Clubes e Governo do Estado promovem já está num patamar acima de insanidade. 

Infelizmente, ninguém aprendeu nada com o fiasco do último fim de semana.