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Em página triste do futebol brasileiro, Tigre passa um dos maiores vexames da década

Criciúma ficou no 0 a 0 contra o São Bento, pela 12ª rodada da Série C
Em página triste do futebol brasileiro, Tigre passa um dos maiores vexames da década
Foto: Celso da Luz / Criciúma E.C.
Por Eduardo Madeira Em 27/10/2020 às 08:05

A década do Criciúma já tem sido sofrida a beça. Rebaixamentos, falta de títulos, perda de relevância em solo estadual… Só que quando achamos que a cota de decepções já se esgotou, o clube trata de nos colocar de volta à órbita e mostrar que é possível. O empate por 0 a 0 diante de um esfacelado São Bento, que precisou colocar um goleiro na linha para completar o time, é só mais um exemplo disso. Não é exagero algum dizer que foi um dos maiores vexames do Tigre na década que começou em 2011.

O vexame já começou fora de campo. Não era para ter jogo, mas parece que “bom senso” é um termo fora do vocabulário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Inadmissível que se permita que uma equipe com tantos casos positivos para a Covid-19 e apenas 12 jogadores disponíveis entrasse em campo para uma partida oficial. O pior foi ter de assistir antes de a bola rolar ao minuto de silêncio em lembrança às vítimas da pandemia. Que hipocrisia.

Dentro das quatro linhas, tudo foi ladeira abaixo. Pressionado para tentar ganhar a primeira como visitante na Série C diante de um adversário totalmente desfalcado e que segurava a lanterna do Grupo B e confuso em campo com tantas mexidas na formação - foram cinco alterações entre um jogo e outro - o Tigre, com rendimento frustrante, em momento algum demonstrou que teria forças para abafar o São Bento e arrancar a vitória, mesmo que fosse na marra. Houve instantes, inclusive, que parecia o time paulista, em vantagem numérica por cerca de 50 minutos após a expulsão de Helder, estar mais perto do gol.

O auge da humilhação foi quando Lucas Macanhan precisou entrar em campo pelo Bentão. O goleiro de 26 anos, que foi titular no jogo do 1º turno na vitória carvoeira por 3 a 1, era o único reserva de Edson Vieira e precisou jogar na linha por dez minutos. Isso mesmo que você leu: o goleiro do São Bento jogou na linha. Duvido que você tenha visto, recentemente, algo parecido, sei lá, na LARM ou qualquer outro campeonato dito amador - que, hoje em dia, é amador só no nome.

A cena de Lucas Macanhan se engalfinhando com os zagueiros do Criciúma nas jogadas de bola parada, em busca de um espaço na área para cabecear, foi o retrato do heroísmo do São Bento, mas jogou na cara do Brasil o desleixo e desrespeito da CBF com o seu próprio produto e ainda deixou o Criciúma com a cara na lama, passando por um dos maiores vexames da década, talvez não tão grande quanto os rebaixamentos, o fatídico caso do hino abafando protesto da torcida e os problemas administrativos, mas que talvez se equipare ou supere episódios como o 6 a 0 do Botafogo, em 2014, por exemplo.

Itamar Schulle pode estar contente, afinal de contas, o 0 a 0 recolocou o Tigre no G4, mas, me desculpe, não dá para pensar assim, não. Ele não acha mesmo vergonhoso empatar fora de casa com o lanterna sem 20 jogadores, que precisou colocar o goleiro na linha para completar o time? Se isso não é uma mancha na história gloriosa do Criciúma, precisaremos aceitar de uma vez por todas que o clube aceitou a mediocridade.