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Desconfiança antiga faz Criciúma virar o “time do mas”

Mesmo em boa fase, sempre surgem ponderações sobre o time
Desconfiança antiga faz Criciúma virar o “time do mas”
Foto: Celso da Luz / Criciúma EC
Por Eduardo Madeira Em 25/08/2020 às 18:00

Para a largada do Criciúma na Série C do Campeonato Brasileiro ter sido melhor, só se aquele pênalti cobrado por Michel contra o Londrina, na 1ª rodada, tivesse entrado e o Tigre deixasse o Estádio do Café com os 3 pontos. De resto, não há do que reclamar. Três jogos, invencibilidade, duas vitórias tranquilas e uma arrancada que dá confiança para Roberto Cavalo e companhia.

Só que chama a atenção os vários “senão” que são levantados quanto o Criciúma, que faz com que seja o “time do mas”. Puxe aí pela memória: de quantas pessoas você ouviu ou leu que o Tigre só teve uma atuação elogiável contra o Boa Esporte, na vitória por 3 a 1, porque o adversário mineiro era muito fraco? E no triunfo sobre o São Bento? De quantos você percebeu reações semelhantes?

Certamente não foram poucos que disseram isso. Não culpo quem trate assim esse início de Série C. O Criciúma tomou tanta paulada nos últimos anos, frustrou tanto os seus torcedores, que é natural haver essa hesitação até mesmo num bom momento - são quatro jogos invicto, se somarmos o Campeonato Catarinense.

Mas gostaria de ponderar alguns pontos, caso alguém esteja disposto a pensar em rever essa hesitação com o time. Primeiro é entender o contexto com o qual o Criciúma está inserido. É Série C, times de 3ª divisão. Não vai aparecer nenhum super time, com jogadores estelares no caminho. Muito pelo contrário. Todas as equipes estão niveladas por baixo, com um ou outro destoando.

Feita essa ponderação, peço que relembrem dois jogos específicos do Campeonato Catarinense: a vitória por 2 a 1 sobre o Concórdia e o empate sem gols frente o Atlético Tubarão. As duas partidas foram no Heriberto Hülse, ainda assim, o Tigre passou sufoco nas duas vezes. Contra o time do Oeste, precisou de um pênalti generoso para vencer. Diante do Tubarão, agradeceu ter ficado no empate depois de ser sufocado pela agremiação da Cidade Azul.

O que esses dois jogos do Estadual tem a ver com o começo da Série C? Ora, se lá atrás fomos - com razão - exigentes e críticos pelo desempenho ruim do Criciúma contra adversários inferiores, precisamos abaixar a altura da régua e reconhecer que houve evolução ao se impor diante de adversários mais frágeis, conseguindo vitórias seguras, coisa que não ocorria antes.

A exigência, cobrando mais e mais, faz parte, é salutar e ajuda a manter todos com os olhos abertos. Mas não dá para colocar obstáculos em tudo para tentar desmerecer algo que vem caminhando bem até aqui. Há o que melhorar, é claro, mas não há time perfeito na Série C. O contexto nos ajuda a entender que mesmo com toda a desconfiança e o pé atrás que o torcedor tem, dá para baixar a guarda e tornar as cobranças mais produtivas, focando nos lugares certos e mandando pra longe a pecha de “time do mas”.

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