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Agora, sim, há o que reclamar

Lance nos minutos finais em Chapecó impediu a terceira vitória do Criciúma no Catarinense
Por Eduardo Madeira Em 16/02/2020 às 14:12

Antes de qualquer opinião a respeito do grave erro de Rodrigo Dalonso, que custou a terceira vitória do Criciúma no Campeonato Catarinense, só gostaria de pontuar que tenho sido bastante crítico a essa narrativa ‘coitadista’ que paira sobre o clube e torcida nos últimos meses. Primeiro porque muitos dos lances reclamados são de pênaltis passíveis de interpretação, que mesmo sendo chances extremamente claras de gols, ainda podem acabar, por exemplo, em uma defesa de goleiro. Diversas vezes essas jogadas ainda são com tempo de jogo a decorrer, o que dá para imaginar que mesmo convertendo a suposta penalidade, haja a possibilidade de o adversário marcar também.

Por isso, essa narrativa de perseguição ou de que se não fossem os erros de arbitragem o time estaria em determinada posição e com tantos pontos me soa muito minimalista e totalmente no campo do “se”. Ah, e não nos esqueçamos: as duas vitórias do ano vieram com gols de pênaltis, digamos, bem generosos.

É simples: os árbitros não são bons. É assim aqui em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, no Tocantins, no Acre e por aí vai. O sistema também os prejudica. Estamos falando de árbitros que possuem empregos fixos que não sejam os da arbitragem, que tem essa função quase que uma renda extra. São guardas, professores, contadores, etc.. Dentro de campo, é claro, a bronca é com eles. Fora isso, o sistema imposto precisa ser questionado em cima das federações.

Feita essa ponderação, não se pode deixar de criticar a trágica decisão de Dalonso em Chapecó, no empate por 1 a 1 com a Chapecoense e aceitar que, desta vez, o Criciúma está coberto de razão em reclamar do homem do apito. Ao parar o ataque carvoeiro na grosseira falta de Derlan em Léo Ceará, ignorando a vantagem que seria consumada em gol de Victor Guilherme no segundo seguinte, ele impediu a vitória carvoeira.

Já passávamos dos 47 minutos do 2º tempo. Um gol nesse estágio do jogo é praticamente garantia de vitória, já que Dalonso havia determinado quatro de acréscimos. Além disso, o árbitro ignorou a própria regra do jogo, que pode ser, inclusive, encontrada no site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF):

“Se o árbitro aplicar uma vantagem depois de uma falta punível com cartão amarelo ou expulsão, a advertência ou expulsão deve ser aplicada quando a bola estiver fora de jogo. Em caso de falta que impeça uma clara oportunidade de gol, o jogador deve ser punido com cartão amarelo. Não deve ser aplicada vantagem em situações de jogo brusco grave, conduta violenta ou em caso de segundo cartão amarelo, a menos que se trate de uma clara oportunidade de gol. Neste caso, o árbitro deve expulsar o jogador na primeira interrupção de jogo, a não ser que o jogador jogue a bola, a dispute ou interfira em um adversário, caso em que o árbitro deve parar o jogo, expulsar o jogador e reiniciar o jogo com um tiro livre indireto contra a equipe do jogador expulso, a menos que o jogador tenha cometido uma infração mais grave”, diz o conteúdo que pode ser acessado neste link.

Quer vantagem maior que o gol? É o que teria acontecido na Arena Condá, não fosse a errada decisão de Dalonso - que já tem uma ficha corrida de erros importantes tanto em nível estadual e nacional.

Longe de querer levantar qualquer tipo de perseguição ou esquema contra o Criciúma - até porque não tenho nenhum elemento disso, erros acontecem contra todos os times - é notória a qualidade ruim dos árbitros catarinenses, que parecem estar piores ano após ano. Os apitadores não encontram fórmulas para controlarem as partidas que não seja na base das faltas e cartões e ainda pecam em lances cruciais, onde uma falha custa pontos a uma equipe. E, agora, custou ao Criciúma, que enfim pode estufar o peito para reclamar.