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É a imprevisibilidade que equilibra a série pro Criciúma

Placar zerado na ida e particularidades do momento de pandemia deixam jogo em aberto
É a imprevisibilidade que equilibra a série pro Criciúma
Foto: Celso da Luz / Criciúma E.C.
Por Eduardo Madeira Em 30/07/2020 às 08:20

Em condições normais, daria para dizer que o Criciúma embarcaria para Itajaí sem qualquer tipo de favoritismo contra o Marcílio Dias. Jogou menos na 1ª fase, tem um ataque de poucos gols e o empate por 0 a 0 em casa não deixou qualquer norte para a volta no Estádio Hercílio Luz, nesta quinta-feira, dia 30, às 16h. Só que não estamos em “condições normais”. O campo estará vazio e os dois times vêm de semanas inativos, sem qualquer tipo de partida oficial. Efeito da pandemia. Se o Marinheiro poderia ser considerado favorito alguns meses atrás, o cenário atual indica equilíbrio maior.

No Criciúma, com a dificuldade de fazer gols, Roberto Cavalo opta por uma receita que já repetiu algumas vezes: saca um defensor e coloca em um atacante. A ausência é de Adenilson, suspenso por acúmulo de cartões, e Thiago Henrique desponta como opção. Isso indica que o treinador deve fazer uma alteração na estrutura tática. Na ida apostou em um 4-3-3, com Carlos César de ‘falso 9’. Se a mexida for confirmada, a tendência é que o Tigre parta para um 4-2-3-1, com Léo Ceará e Jean Dias pelas beiradas.

O ganho disso se vê na aproximação de Carlos César com o setor de criação de jogadas. No Heriberto Hülse, o camisa 10 foi o sopro de lucidez no meio-campo carvoeiro. Porém, sem referência na frente, era ele quem preenchia os espaços abertos pelos ponteiros.

Os ponteiros, aliás, nesse possível sistema adotado por Cavalo, terão papel fundamental no jogo de Itajaí. Carlos César e Thiago Henrique dificilmente terão grandes papéis defensivos. Na contramão, o Criciúma de Cavalo defende com linhas muito retraídas, com pelo menos nove jogadores no próprio campo. Já o Marcílio Dias, do competente Moisés Egert, explora bastante o jogo pelas laterais, com dois alas bem agressivos: Rodrigo na direita e Paulinho na esquerda. Qualquer descuido na marcação lateral vira arma para o Marinheiro ter vantagem numérica. Esse será um ponto chave a ser notado na partida.

De qualquer forma, realizar uma previsão mais concreta para o confronto soa como injusto e precipitado. O momento de pandemia, que paralisou o campeonato por muito tempo e traz agora um leque de partidas com estádios vazios, nos força a manter os pés no chão em cravar cenários favoráveis a um ou outro time. E é exatamente isso que deixa o Criciúma mais vivo na disputa contra o bom time do Marcílio Dias.