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Grupo Cirandela é destaque no 47º Festival Nacional de Teatro

Para Contar Estrelas recebeu quatro troféus durante evento no Paraná
Grupo Cirandela é destaque no 47º Festival Nacional de Teatro
Foto: Divulgação
Por Milena Nandi Em 08/11/2019 às 12:10 - Atualizado há 4 semanas

E tem trabalho – e talento – aqui da região reconhecido nacionalmente! A coluna desta quinta (5/11) traz com muito orgulho um pouco da história do Grupo Cirandela, que recebeu, com o espetáculo “Para Contar Estrelas”, quatro troféus durante o 47º Fenata (Festival Nacional de Teatro), que aconteceu de 22 a 27 de outubro, em Ponta Grossa, Paraná.

O Cirandela participou da Mostra Especial do Fenata com o espetáculo “Lá Vem Poesia”, um trabalho de contação e cantação de histórias. O espetáculo circulou pelas comunidades escolas públicas municipais, Centros Municipais de Educação Infantil, asilos e Apae. Em quatro dias, o Grupo realizou 16 apresentações. Já na Mostra Infantil, “Para Contar Estrelas” foi o espetáculo de encerramento, concorrendo as premiações junto com os outros espetáculos inscritos tanto na categoria Infantil quanto na Adulto.   

“Para Contar Estrelas” recebeu os prêmios de Melhor Espetáculo Teatral Apresentado no 47º Fenata; Melhor Sonoplastia/Trilha Original: Priscila Schaucoski e Bruno Andrade; Melhor Cenografia: Reveraldo Joaquim e Bruno Andrade e Melhor Direção: Reveraldo Joaquim e Yonara Marques. Ah, e o Cirandela ainda recebeu indicação de Melhor Figurino: Yonara Marques e Priscila Schaucoski.

Composto pelos artistas Priscila Schaucoski (formada em Artes Visuais) e Bruno Andrade (graduado em Letras), o Grupo Cirandela conta com a parceria de artistas do Sul catarinense para iniciativas como o espetáculo premiado nacionalmente. Reveraldo Joaquim e Yonara Marques, do Grupo de Teatro Cirquinho do Revirado são os diretores de “Para Contar Estrelas” e na equipe técnica, a peça tem Walter Gobbo, de Içara na técnica de som e Rafael Motta de Florianópolis na criação e técnica de luz.

A coluna bateu um papo com Priscila sobre a premiação, sobre o Cirandela e sobre arte que você pode acompanhar seguir:

Cultura em Cena: O que esse prêmio significa para o Cirandela?

Priscila Schaucoski: É uma alegria muito grande representar o estado de Santa Catarina, mais precisamente o município de Criciúma, participando do Fenata com nossos dois trabalhos de repertório: “Lá Vem Poesia” na Mostra Especial e “Para Contar Estrelas” na Mostra Infantil. E receber o reconhecimento por meio da premiação do espetáculo “Para Contar Estrelas”, nos faz ainda mais gratos, pois é um trabalho coletivo, que envolve a arte de tantas pessoas. Acreditamos que a troca com os outros grupos, públicos diversos e principalmente a revolução interna que acontece quando vivenciamos tais experiências, é a recompensa mais importante que levamos para casa.

Cultura em Cena: Como foi feita a seleção dos trabalhos vencedores?

Priscila Schaucoski: Os espetáculos que participam da Mostra Infantil e Adulta do Festival Nacional de Teatro são selecionados por uma equipe curatorial composta pelos artistas Fabiana Monsalu (SP), Gilvan Balbino (RJ) e Rafael Camargo (SP). Mais de 150 espetáculos foram inscritos. Os curadores/jurados assistiram a todas as apresentações do Festival, e ao final de cada apresentação promoviam uma conversa com o público e os atores sobre a construção da obra. Ao final do Fenata, os jurados selecionaram os espetáculos vencedores do prêmio.

Cultura em Cena: O espetáculo já havia sido premiado em outra oportunidade?

Priscila Schaucoski: “Para Contar Estrelas” estreou em 2016 e desde então vem circulando e participando de diversos festivais. O Fenata é o segundo Festival competitivo que participamos. O primeiro foi em 2017, na cidade de Limeira, em São Paulo. Lá, recebemos os prêmios de Melhor Cenografia: Reveraldo Joaquim e Bruno Andrade; Melhor Trilha Sonora Original: Bruno Andrade e Priscila Schaucoski e o terceiro lugar na categoria Infantil.

Cultura em Cena: Gostaria que você contasse um pouco para a gente sobre o “Para Contar Estrelas”. Como surgiu a ideia de montar um espetáculo que chama para o público refletir sobre o tempo e como foi a concepção dele?  

Priscila Schaucoski: O espetáculo surgiu a partir do interesse e pesquisa  sobre a temática “contemplação”. Falar de contemplação significa falar de tempo, de tempo livre. A pesquisa do grupo aborda e discute nossa relação com o tempo. Após mais de dois anos de estudo dentro dessa temática, o Grupo propôs um projeto para o Edital Cultura Criciúma 2015. O projeto propunha a concepção e montagem de um espetáculo teatral do Grupo Cirandela com direção de Reveraldo Joaquim e Yonara Marques que tivesse como mote o tema “contemplação”. O projeto foi aprovado e em janeiro de 2016 se iniciou o processo de montagem que durou oito meses. “Para Contar Estrelas” estreou em agosto de 2016 na Praça Nereu Ramos, em Criciúma.

A concepção do espetáculo vem de um trabalho coletivo. No decorrer dos seus oito meses, eu, o Bruno, o Reveraldo e a Yonara nos debruçamos sobre ele de forma inteira, pensando juntos muitas questões que levaram a sua construção, junto com a troca entre outros artistas. Desde sua estreia o espetáculo participou de projetos e circuitos culturais importantes, como a Rede Sesc de Teatros (2017) e 18º Mostra EmCenaCatarina (2018), maior projeto de artes cênicas do Estado, estando entre os dois grupos de teatro selecionados para percorrer mais de 35 cidades catarinenses.

Ele conta a história dos guardadores de tempo Prócion e Kuiper que viajam pelo universo para capturar os mais variados tipos de tempo. Eles obedecem ao Relógio, aquele que dita o Procedimento Padrão. Mas na Terra eles se deparam com um tempo diferente, um novo tempo. Isso muda tudo, transforma, causa mutação. Então os guardadores se deparam com questionamentos como “Vão mudar o procedimento padrão?”, “Vão guardar o tempo ou brincar com o tempo na mão?”, “Vão obedecer ou fazer revolução?”. O público também é chamado para refletir sobre questões como “ Você guarda o tempo ou o tempo que te guarda?”e “Você tem tempo “Para Contar Estrelas?”.

Grupo Cirandela

O Cirandela é um grupo artístico independente. Estabelecido em Criciúma, ele existe e produz artisticamente desde 2009. Tem como identidade principal do seu fazer artístico a música, e na pesquisa de seus projetos busca o entrelaçamento e atravessamento das linguagens do teatro, da música e da literatura.

Ao longo dos anos, no decorrer das suas atividades, o Grupo Cirandela vem desenvolvendo a sua linguagem principal: a música, sempre no encontro com as linguagens do teatro e da literatura na comunicação direta com o público infantil.