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A guerra de Trump e a ação militar de Biden

Ex-presidente provocou conflito no Oriente Médio
A guerra de Trump e a ação militar de Biden
Foto: Divulgação
Por André Abreu Em 27/02/2021 às 10:22

O ex-presidente Trump tem sido muito elogiado por não envolver os EUA numa guerra. Diferente dos seus antecessores, Trump,como presidente, teria promovido a paz. Há um detalhe importante esquecido da afirmação. 

Se o mandato de Barack Obama foi caracterizado pela continuação da Guerra do Afeganistão, o mandato de Trump foi marcado pela busca pela paz entre as Coreias e a tensão com o Irã. 

O início de 2020 foi marcado por um clima de conflito forte entre os EUA e o Oriente Médio. No dia 3 de janeiro de 2020, o mundo se via diante de uma possiblidade de guerra com envolvimento de diversos atores internacionais, que rapidamente se mobilizaram pedindo um diálogo diplomático para evitar o pior. 

Naquele dia os principais fatos foram:

  • Forças dos EUA mataram o líder da Força de Elite Quds do Irã e um líder das Unidades de Mobilização Popular, xiita.
  • O então presidente dos EUA, Donald Trump, avisou que o Irã pagaria "um preço muito alto" depois da invasão da embaixada dos EUA em Bagdá. 
  • Autoridades iranianas juraram retribuição dura pela morte do líder iraniano.
  • Norte-americanos deveriam deixar o Iraque imediatamente, Departamento de Estado declarou em comunicado. 

O então Secretário de Estado Mike Pompeo e o primeiro-ministro de Israel Netanyahu afirmaram que o líder iraniano Soleimani planejava ataques sobre vítimas inocentes.

A busca pela paz entre as Coreias, essa sim poderia levar Trump a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. O encontro entre Trump e Kim Jong-un no final de junho de 2019 aproximou a Coreia do Norte do mundo ocidental e protegeu a Coreia do Sul de um conflito com o irmão do Norte.

Os dois casos acima não podem passar desapercebidos de quem busca avaliar presidentes sob uma só ótica. Os EUA promovem guerra ou paz de acordo com interesses de seu governo e de seus presidentes. Tradicionalmente, presidentes democratas seguem uma linha mais ligado ao Departamento de Estado do que uma linha de ataque do Pentágono. 

Mas a área militar do governo Biden mostrou suas garras esta semana com o ataque militar á milícia iraniana na Síria. Biden está decidido a usar a diplomacia para atrair o Irã para a mesa de negociações, mas não tem receio em usar a força militar. O recado é claro.