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EUA: O mito da vitória pelo voto popular

Mito ganhou força nas eleições presidenciais de 2016 e 2000
EUA: O mito da vitória pelo voto popular
Foto: Alírio Souza
Por André Abreu Em 18/10/2020 às 14:31

Na eleição presidencial de 2000, Gore disputava as eleições com George W. Bush. O candidato republicano conquistou a Casa Branca com 271 votos. Gore perdeu com seus 266 votos. Nos dias seguintes, derrotados pela regra do jogo (Colégio Eleitoral segundo a Constituição dos EUA) e inconformados com a derrota os democratas disseram que, se fosse pelo voto popular, Gore seria o presidente dos EUA. Tratado assim, e com a recontagem de votos na Flórida (depois de ser feita três vezes e ter dado vitória a Bush) a Suprema Corte dos EUA suspendeu uma nova recontagem. Gore saiu da vida política como o quase-presidente dos EUA. Com os então 27 votos da Flórida o candidato democrata chegaria à Casa Branca. 

Tanto nas eleições de 2000 quanto em 2016 os democratas venceram pelo voto popular. Hillary teria vencido em 2016 pelo voto popular.  Mas esse voto vale? Não, os resultados finais dos votos de cada um dos candidatos não vale na definição do vencedor.

Como funciona o sistema eleitoral

O sistema é baseado nos estados. Segundo Akram Elias, do Capital Communications Group, dos EUA, o sistema federal norte-americano é baseado na força dos estados (cada um com um número de delegados diferente de acordo com a população). O voto do eleitor tem valor dentro de seu estado.

Elias diz que o eleitor na realidade está escolhendo um delegado para votar para um dos candidatos presidenciais, numa eleição indireta. Posteriormente, os eleitores (delegados do Colégio Eleitoral) se reúnem e depositam seus votos como representantes dos estados.. O consultor Akram Elias foi convidado pela Embaixada norte-americana no Brasil para falar sobre as eleições presidenciais norte-americanas na semana passada e destacou o papel central do Colégio Eleitoral para eleger o presidente dos EUA.. 

 A Califórnia tem 55 votos. A Flórida tem 29 votos na atual eleição. A fórmula básica diz que o candidato que conquistar mais votos conquista todo aquele estado (com duas exceções: Nebrasca e Maine dividem seus votos). Elias destaca que a escolha do presidente (com seu vice) é do Colégio Eleitoral, deste grupo de delegados que representam os eleitores de seus estados.  O Colégio Eleitoral tem 538 delegados. 

Em caso de impasse, a Constituição tem a solução

Se houver um impasse e nenhum dos candidatos conquistar os 270 votos necessários, a Câmara escolhe o presidente e o Senado escolhe o vice. Cada delegação estadual da Câmara teria direito a um voto para escolher o presidente. A emenda que trata do assunto é a 12ª emenda, afirma Eias, 

Papel da Suprema Corte dos EUA 

A Suprema Corte dos EUA tem o papel de decidir processos que não estejam claros de acordo com a Constituição. Mas para que esses processos cheguem à mais alta Corte dos Estados Unidos, eles precisam ser julgados por instâncias inferiores. Seria o caso de um processo de recontagem de votos.  

Foto: Cédula de voto pelo correio de Massachusetts.