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Biden e o Brasil: perspectiva do novo governo

Acordo de Paris volta para
Biden e o Brasil: perspectiva do novo governo
Por André Abreu Em 24/11/2020 às 09:39

Nunca uma campanha presidencial dos EUA deixou a política externa tão de lado. Questões como a força da China, o poderio da Rússia nas Relações Internacionais e o terrorismo ou guerras das tropas norte-americanas no mundo dominaram sempre a pauta dos debates e das campanhas para a Casa Branca.

A campanha de 2020 foi dominada por um assunto exaustivo: COVID-19. 

Mas a frase que define a política externa de Biden ficou para o Brasil na questão do Meio Ambiente.

"Vou aderir ao Acordo de Paris porque com a gente fora dele, veja o que está acontecendo. Está tudo desmoronando. E vamos falar de alguém que não tem relação com política externa (Trump). As florestas tropicais do Brasil estão sendo derrubadas, estão sendo destruídas. Mais carbono é absorvido naquela floresta tropical do que cada pedaço de carbono emitido nos Estados Unidos. Em vez de fazer algo a respeito, eu estaria reunindo e garantindo que os países do mundo arrecadassem 20 bilhões de dólares e dissessem: “Aqui estão 20 bilhões de dólares. Pare de destruir a floresta. E se você não fizer isso, você terá consequências econômicas significativas. ”

Joe Biden, presidente eleito dos EUA

A constatação sobre a situação da floresta amazônica brasileira é internacional. Passa por potências como França e Alemanha e domina o cenário internacional com base na Europa. O Acordo de Paris volta à pauta contra a mudança climática. São palavras-chave do governo Biden. Fortalecer a questão do meio ambiente, colocar os EUA de volta no Acordo de Paris e forçar o Brasil a se adequar à nova onda a favor da preservação do meio ambiente.

Com a China tudo indica que Biden vai manter relações frias, mas vai puxar um reconhecimento maior de Taiwan e a valorização dos direitos humanos. Com a Rússia, vai manter a frieza com que Putin o trata. Na Ásia e na Europa os EUA vão manter uma política externa de aproximação ditada pelo relacionamento com a França e a Alemanha. 

Na questão ambiental acena para o Brasil aceitar uma injeção de fundos internacionais antes das sanções. Não se trata de a Amazônia estar à venda ou não. Mas trata de colocar o país no compromisso de preservação global, que as potênciais estão assinando e defendendo. Macron que o diga!

John Kerry, ex-senador de Massachusetts e ex-secretário de Estado, assume o papel de líder (czar) do Meio Ambiente. Ou o Brasil embarca na questão de meio ambiente ou terá muito a perder. Essa é a mensagem. 

O novo realinhamento dos EUA passa por Japão, França, Alemanha e mantém relações normais com o Reino Unido, mas sem muito calor. A Nova Zelândia está entre os países que vão manter uma aproximação com a potência norte-americana. 

Na América do Sul, a Argentina vai procurar se aproximar de Biden. O Chile deve se manter próximo. 

A Embaixada dos EUA em Cuba volta a ser importante, pois iniciou no mandato de Obama e a mesma equipe de política externa de Obama está fortalecida no futuro mandato de Biden. Com a Venezuela relações mornas, sem um grande confronto. Biden considera Maduro um ditador, mas prefere canais diplomáticos. Tanto em Cuba quanto na Venezuela Biden vai manter canais abertos, mas pressionar por mudança democrática. 

O Brasil poderia se fortalecer sendo um interlocutor regional na questão da Venezuela, mas teria que se distanciar da agenda de Trump. Uma troca de ministro das Relações Exteriores no Brasil seria uma possibilidade de abrir o diálogo: Ernesto Araújo daria lugar a alguém do período Clinton ou Obama em Washington. Assumiria outro cargo representativo do Brasil em um organismo internacional.

O tempo dirá.