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Com água na cintura, moradores ficam desolados na Quarta Linha

Atualização de matéria às 14h26min / Forte chuva desta sexta-feira deixou moradores desabrigados. Confira a galeria de fotos e vídeo
Com água na cintura, moradores ficam desolados na Quarta Linha
Foto: Douglas Saviato
Por Douglas Saviato Em 14/02/2014 às 09:22

Atualização de matéria às 14h26min / Moradores presenciaram cenas nunca vistas antes no bairro Quarta Linha, em Criciúma, nesta sexta-feira. A chuva que iniciou na madrugada deixou dezenas de ruas alagadas. Em alguns pontos, a água chegou até a cintura dos moradores. “Moro aqui há quatro meses, pois morava em Porto Alegre (RS), onde perdi tudo em uma enchente. Vim para fugir da chuva e sou vítima mais uma vez”, comentou a empregada doméstica Tatiana Queiroz da Silva, que teve sua residência, localizada na rua 800, invadida pela água.  

Assim como Tatiana, outras vítimas da forte chuva foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros de Criciúma, que esteve presente com dois botes. Eles percorreram as ruas alagadas em buscas de moradores ilhados. Ao todo, quatro bombeiros militares atuaram nesta manhã no bairro e mais dois bombeiros voluntários da região também auxiliaram no resgate. “Estamos orientando a população para deixarem suas casas logo que a água entrar, não deixar nenhum eletrodoméstico na tomada e fazendo o resgate com auxílio da comunidade. Iremos ficar no bairro durante o dia”, frisa o segundo sargento do Corpo de Bombeiros de Criciúma, Cleiton de Bem.

O Exército também esteve na comunidade. Quatro caminhões e cerca de 60 militares trabalham no bairro Quarta Linha. A reportagem do Portal Engeplus acompanhou um dos caminhões por volta das 11 horas, sendo que os militares iniciaram os trabalhos antes das 8 horas. Conforme o sargento 28º GAC, Davi Souza, cerca de 30 pessoas haviam sido resgatadas de suas casas, sendo que mais pessoas tinham sido retiradas de casa com os outros três caminhões. “Não registramos nenhuma ocorrência grave. Retiramos das casas crianças especiais, pessoas impossibilitadas de andar e, inclusive, uma mãe com um bebê recém-nascido”, destaca Souza. 

Érica Gregório Pinto, de 18 anos, pediu socorro aos militares quando a água se aproximava da porta de sua residência. “Saí com minha filha Sofia, de apenas um mês, no colo, para nossa segurança”, ressalta a moradora do local há quatro meses. Agora, ela está no alojamento montado ao lado da igreja Santo Antônio, no bairro Quarta Linha. A água atingiu a marca de 1,30 metro. Por volta das 11 horas, o volume de água já havia baixado cerca de 10 centímetros. Segundo Souza, os militares também auxiliaram os moradores a erguerem os móveis dentro de casa. 

Conforme a moradora Maria Albertina Tezza, da rua Pedro Onoráto, uma enchente nunca tinha avançado tanto. “Fico nervosa em ver a água se aproximando. Nunca vimos isso. Há cinco anos tivemos uma chuva forte mais não como essa”, salienta. Moradores e comerciantes, que estão fixados há mais de 40 anos no bairro ressaltaram que nunca viram uma enchente desta proporção.  

Acesso interrompido – O acesso ao bairro Quarta Linha e aos bairros vizinhos ficou comprometido logo no início desta manhã. Na frente da cerâmica Elizabeth (apenas referência), às margens da rodovia Luiz Rosso, um rio se formou em decorrência da forte chuva. Apenas caminhões conseguiam passar pelo local, já em minutos a água tomou conta da pista.
O Corpo de Bombeiros conseguiu chegar até a região central do bairro Quarta Linha com ajuda de um caminhão, que transportou um bote utilizado no resgate das vítimas. A imprensa também teve acesso ao local através do caminhão. Por volta do meio-dia o acúmulo de água já havia baixado. Carros de grande porte já conseguiam ultrapassar a água concentrada sobre rodovia Luiz Rosso.

No vídeo, rodovia Luiz Rosso interrompida na manhã desta sexta-feira. 

Vídeo: Douglas Saviato