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O ato de ingresso na Júlia Zanatta no PL

Uma leitura à candidatura bolsonarista em Criciúm
O ato de ingresso na Júlia Zanatta no PL
Por João Paulo Messer Em 13/02/2020 às 16:32

Não foi exatamente um ato festivo, nem tão representativo em termos de lideranças, mas Júlia Zanatta agora é oficialmente do Partido Liberal (22). Sua ficha foi abonada pelo senador Jorginho Mello, em ato no início da tarde desta quinta-feira, em uma das salas do Interclass Hotel. Isso deve dar fim a um ambiente um tanto "carregado" e que vinha assim desde o a segunda-feira, quando o senador presidente estadual da sigla sentenciou que a candidata do partido é a afilhada da família Bolsonaro.

À percepção de quem acompanha este tipo de evento diria que foi um ato menor do que se espera para um ano eleitoral, isso porque é a entrada  um partido de alguém que se propõe a ser a principal candidata de oposição.

Mello justificou a opção por Júlia dizendo que ele fez pesquisas e que indicavam-na bem melhor e que o outro pré-candidato, Jeferson Monteiro, sabia que este seria o critério: "pesquisa". Só o que ele não sabia é que a pesquisa já estava sendo feita e não seria mais em março como ele prometeu aos candidatos. “Não vou avisar os candidatos sobre quando vou fazer pesquisa”, disse. A min a tese me parece ser uma estratégia (desculpa) que usa para dar menos peso à decisão que tomada de cima para baixo e por fidelidade ao presidente Jair Bolsonaro, cujo filho Eduardo pediu por Júlia Zanatta. Assim corta o brilho que o ato de hoje dá à reciprocidade que Mello espera em 2022, quando será candidato a governador.

Agora Júlia Zanatta terá que dar a largada ao trabalho de aglutinação do partido, já que a saída da ala Jeferson Monteiro está sacramentada. Eis outro ingrediente que me parece flagrante: a candidatura da Júlia deve ser mais descolada e menos dependente da campanha dos vereadores. Ela aposta no cabo eleitoral “Bolsonaro”. Se em 2018 Bolsonaro arrastou uma multidão e em Criciúma elegeu desconhecidos, o “tsunami” pode se repetir em 2020. É a aposta de Júlia.. Por isso ela deve ter uma candidatura descolada dos valores de partido e de nomes locais. Insisto que a minha leitura é de ela faz um jogo do tudo ou nada, pois em caso de eleição estará consagrada, se perder para prefeito e o seu partido fizer votação pífia para vereador o problema não é dela.