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O que pesou na votação da Alesc

Presidente Bolsonaro pode ter sido agente
O que pesou na votação da Alesc
Foto: Thiago Hockmüller / Portal Engeplus
Por João Paulo Messer Em 24/10/2020 às 05:39

Mesmo os mais experientes frequentadores dos movimentos políticos de Santa Catarina não entenderam ainda o que exatamente aconteceu na Assembleia Legislativa nessa sexta-feira e madrugada de sábado. Um julgamento que começou com pressentimento de unanimidade pelo afastamento do governador Carlos Moisés (PSL) e da vice Daniela Reinehr (sem partido) para dar posse ao deputado Júlio Garcia (PSD) governador do Estado terminou criando um "trevo" na cabeça de todos.

O que parecia ter sido um gesto despretensioso do deputado sargento Lima definiu tudo a favor da vice-governadora. O enredo se completou porque Lima votou por "livrar" a vice-governadora da continuidade do processo, mas havia entendimento de que haveria votos suficientes para que a atitude não gerasse nenhum resultado prático. Pois foi ele, Lima, quem salvou Daniela, pois o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Röesler, foi provocado como voto de minerva - desempate - numa situação absolutamente inesperada, inclusive por ele, pois teve que reescrever o voto.

Evidente que forças externas atuaram nos bastidores da votação, nos últimos dias. Isso a ponto de a desembargadora Cláudia Lambert de Farias referir-se a uma "reunião" que teria ocorrido na noite anterior. Isso remete à ideia de que houve um jogo combinado o que só pode ter sido consequência de alguma influência externa. A dúvida é sobre quem? Uma das teses é que o presidente Jair Bolsonaro tenha agido de alguma maneira. Outros entendem que a força e poder de convencimento que se suspeita seja do ex-deputado Gelson Merísio tenha feito parte do enredo. O fato é que a cena tem um conjunto misterioso.

Outra evidência é uma derrota do deputado estadual Júlio Garcia que estava com um pé no palácio da agronômica. Embora o resultado não seja de todo ruim - seria se o governador não tivesse sido afastado - fica a impressão de que ele foi derrotado. E quando alguém se refere à uma derrota de Garcia subentende-se o Poder Legislativo, pois ele mantém hoje absoluta liderança sobre ele.

Os "juristas garcias" começaram a sexta-feira com a certeza de que virariam o fim de semana no comando do governo do Estado. Aparentemente mesmo que o governador tenha sofrido derrota, restou-lhe uma razão para comemorar: Garcia não foi o vencedor do processo. Quem ganhou de fato foram os bolsonaristas, pois recuperam um Estado conquistado pelo número 17 em 2018.