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A impressão 3D na construção civil

Uma escola em Madagascar
A impressão 3D na construção civil
Foto: Dezeen.com
Por João Rieth Em 25/02/2021 às 11:49

 

O Studio Mortazavi, com sedes em São Francisco (USA), Lisboa e Paris, projetou uma escola impressa em 3D, feita de concreto e materiais de construção de origem local, em Fianarantsoa, ​​Madagascar. Projetada para a organização sem fins lucrativos Thinking Huts, a escola alimentada por energia solar, será feita em módulos que podem servir a diferentes funções - como salas de aula, laboratórios de ciências e estúdios de dança, por exemplo - e podem ser expandidas conforme for necessário.

Cada módulo será construído a partir de um agregado de concreto, impresso em 3D, e que pode ser feito com materiais reciclados para reduzir as emissões de CO2. O telhado, em metal galvanizado, e coberto com grama nativa, ajudará os edifícios a se integrarem ao ambiente e isolar termicamente. A escola terá suas paredes impressas em 3D e quando estiver concluída, a Thinking Huts acredita que a estrutura será a primeira escola impressa em 3D do mundo.

"Pelo que sabemos, estaremos construindo a primeira escola impressa em 3D em Madagascar", disse Maggie Grout, fundadora da Thinking Huts. "A tecnologia de impressão 3D foi usada em vários projetos de construção; o mais semelhante seria a NewStory, que está construindo casas impressas em 3D na América Latina", acrescentou ela. A Thinking Huts tem como objetivo ir além do projeto piloto e construir escolas em parceria com as comunidades de Madagascar. Um prédio de um andar será impresso para o campus universitário da École de Management et d'Innovation Technologique (EMIT), também  em Fianarantsoa, ​​que terá 230 metros quadrados e abrigará até 20 alunos.

Este projeto poderá então ser expandido, adicionando-se à primeira escola Thinking Huts. "A beleza dos “pods” (módulos) é que podemos construir um campus infinito com eles, conforme a necessidade dos alunos e da escola", disse o fundador do Studio Mortazavi, Amir Mortazavi. "Como a impressora 3D é limitada em termos de diâmetro que pode imprimir, a técnica de pod é a maneira mais eficiente de ser flexível e crescer conforme necessário." "Encontramos uma impressão malgaxe que foi usada em tecidos e repetimos esse padrão nas superfícies dos prédios", disse Mortazavi. “Também pensamos em integrar a cor ao agregado que é usado na impressão para que o edifício se adapte às cores naturais existentes na paisagem de Madagascar”, acrescentou."Algo semelhante a uma técnica de terra batida impressa em 3D." A fachada também contará com parede de escalada e recipientes, onde as crianças poderão usar para uma fazenda vertical. Os painéis solares no telhado irão alimentar a escola, que terá sistemas de captação de água, iluminação eficiente e banheiros compostáveis. "Para o projeto inicial em Madagascar, não precisaremos de aquecimento, já que a temperatura média raramente cai abaixo da temperatura ambiente", disse Mortazavi. "No entanto, adicionaremos ventiladores para resfriar os prédios e também teremos ventilação em torno da parte superior de todos os pods. Quando imprimirmos essas escolas em climas que exigem aquecimento, imagino que o aquecimento radiante seja usado como a mais eficiente e confortável fonte de aquecimento. "Os materiais para a escola serão obtidos de empresas locais, e a Thinking Huts e o Studio Mortazavi esperam desenvolver produtos comercialmente disponíveis para apoiar os artesãos e a indústria locais. "Estamos trabalhando com uma empresa de construção e fornecimento de materiais de construção chamada Holcim, em Madagascar".  "Faremos uma viagem de reconhecimento à Madagascar para trabalhar com madeira sustentável e artesãos locais para projetar e construir os móveis" , afirmou Mortazavi.

A escola será construída em colaboração com a empresa finlandesa de tecnologia 3D Hyperion Robotics, e a Thinking Huts está atualmente angariando fundos para ajudar a financiar a primeira escola. A empresa planeja começar a construir a escola a partir de julho ou agosto de 2021.

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