InternetData CenterAssinante

Prêmio Instituto Tomie Ohtake de Arquitetura 2020

Prêmio à Arquitetura Bioclimática
Prêmio Instituto Tomie Ohtake de Arquitetura 2020
Foto: archdaily
Por João Rieth Em 23/12/2020 às 19:46

Os organizadores do 7º Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake e Akzo Nobel anunciaram os projetos selecionados na edição deste ano da premiação, que conta com o apoio institucional do CAU/SP. No total, foram 246 inscrições, provenientes de 14 estados brasileiros e Distrito Federal. Além dos três projetos premiados, outros dez trabalhos receberam menções honrosas.

 

Os projetos premiados foram:

  • Academia-Escola / Unileão / Juazeiro do Norte – CE; Lins Arquitetos Associados; George Lins e Cintia Lins.
  • Estação Antártica Comandante Ferraz / Ilha Rei George – Antártica; Estúdio 41 Arquitetura; Emerson Vidigal, Eron Costin, Fabio Henrique Faria, João Gabriel Rosa, Dario Corrêa Durce.
  • Requalificação da Colina do Senhor do Bonfim / Salvador – BA; Sotero Arquitetos; Adriano Mascarenhas. 

O Prêmio, realizado desde 2014, busca reconhecer as produções arquitetônicas de destaque na cena contemporânea brasileira, valorizando as formas inovadoras de pensar e construir o espaço social, contribuindo assim com o desenho do panorama da arquitetura nacional.

A academia-escola da Unileão, com 965m2, está situada na cidade de Juazeiro do Norte / Ceará, região do Cariri, no meio do sertão nordestino. Ela serve de apoio ao curso de Educação Física, do Centro Universitário, e atende os alunos e funcionários da instituição. A autoria do projeto foi da empresa Lins Arquitetos Associados, de Juazeiro do Norte, Ceará.

O edifício foi alocado em um platô pré-existente que direcionou sua implantação no sentido Leste-Oeste, com fachadas expostas à uma maior incidência solar, todos os dias do ano. Essa situação não é a ideal para o clima semiárido brasileiro, por isso foram aplicadas estratégias de conforto ambiental para diminuir a temperatura no interior da edificação.

O conjunto é formado por cinco círculos de raio 7.80 metros, sendo 6.00 metros de área útil e 1.80 metros de jardins. Cada círculo funciona como uma célula de setorização das atividades, na qual, temos duas destinadas às práticas de musculação, uma para a recepção e cantina, uma para a prática de atividades aeróbicas e a última para áreas de serviço e administração como banheiros, depósitos, coordenação e sala de avaliação. Cada célula se conecta diretamente com a outra formando um conjunto alongado, de aproximadamente 64 metros de comprimento. Três varandas ajudam na conexão dessas células e servem para marcar o acesso principal da academia e para o apoio ao treinamento funcional.

Como forma de minimizar a incidência de luz solar, diretamente no interior da edificação, todas as fachadas foram pensadas em três camadas. A primeira delas, mais externa, tem como função filtrar a luz solar e é composta por uma paginação de tijolos cerâmicos maciços, e espaçados uns dos outros. Essa paginação traz tridimensionalidade à fachada, além de criar um efeito de luz e sombra. A segunda camada é composta por um jardim interno, com espécies vegetais adaptadas ao clima da região e que contribuem para gerar um microclima agradável. Por fim, a terceira camada, um pano de esquadrias pivotantes de vidro incolor que permitem refrigerar a academia caso seja necessário.

Em síntese, o edifício se propõe a racionalizar a distribuição espacial, promovendo uma fácil leitura da setorização, ao mesmo passo que explora os estímulos tátil e visual através dos materiais, dos efeitos de luz e sombra e da vegetação, contribuindo com o conforto e permanência dos usuários. Exemplos de uma forma criativa e inteligente de projetar, considerando as adequações bioclimáticas e o bem-estar dos usuários.

www.archdaily.com.br

Leia mais sobre: