InternetData CenterAssinante

Por uma arquitetura e um design sustentável

Sustentabilidade e responsabilidade com o meio ambiente
Por uma arquitetura e um design sustentável
Foto: Perfumes Teor executadas com madeiras renováveis e vidros reciclados, by J.Rieth
Por João Rieth Em 02/07/2019 às 12:15

Minha proposta nesta coluna, será relatar e refletir sobre as melhores experiências profissionais e pedagógicas no Brasil e no exterior, nos campos da arquitetura e do design de produtos, onde o compromisso com a qualidade do espaço construído, inovação e sustentabilidade dos processos produtivos se tornam emergentes.

A temática ambiental está presente diariamente na vida da sociedade, porém, na maioria das vezes, criando alarmes pouco fundamentados, mas infelizmente, de modo reducionista, tentando atrair a atenção da população para os severos prejuízos de sua degradação e não para os benefícios que a proteção nos concederia em termos qualitativos. A natureza não se restringe apenas a uma fonte esgotável de recursos naturais, mas um acervo de informações conhecidas, desconhecidas e inexploradas.

A observação dos fenômenos naturais permite questionar e avaliar os principais conteúdos da complexidade projetual como função, forma e uso dos materiais, assim como inspirar novas soluções para problemas de ordem técnica e construtiva.

No mundo “humano”, estamos constantemente tentando resolver problemas criados por nós mesmos, em todos os campos, como a medicina, engenharia, psicologia e, claro, design, arquitetura e design de interiores. Nossas soluções, porém, nem sempre são claras ou aquelas mais eficientes.

Projetar é uma atividade complexa e implica em perceber problemas, detectar falhas e defeitos, questionar hábitos e costumes e propor alternativas viáveis. Significa ampliar a observação de vários fenômenos e permitir a interação com todos os órgãos dos sentidos. Atualmente, a informação chega aos nossos órgãos do sentido de forma neutralizada, através de sistemas digitais de áudio e vídeo, prejudicando nossa capacidade sensorial de apreciar e avaliar aquilo que se encontra ao nosso redor e dificultando nossa capacidade de juízo.

Isto significa também que se faz iminente estimular a interpretação criativa da realidade e levar soluções conceituais de uma área para outra. “Design é o processo de adaptação do entorno objetual às necessidades físicas e psíquicas do homens e da sociedade” (Bernd Löbach). É um processo em que a solução do problema atende às relações do homem com seu entorno técnico.

Ao longo da história, o homem passou da posição de observador e repetidor dos fenômenos naturais à posição de protagonista. Nesta trajetória afastou-se completamente de suas bases ao propor modelos que geram grande desequilíbrio ambiental, obsolescência e resíduos extremamente danosos ao meio ambiente. Esta postura dissociada da natureza implica em desenvolver processos complexos para a recuperação ambiental e reciclagem de materiais.

Neste momento, a postura estratégica e contemporânea do design e da arquitetura se faz extremamente necessária, rompendo os modelos tradicionais de desenvolvimento tecnológico, evidenciando a busca de inovações mais ágeis e conectando tendências aos novos negócios, com forte impacto social.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de criar um novo modelo conceitual ao projetar algo. Um modelo que seja sustentável, orientado por critérios ecológicos. Segundo Mazzini e Vezzoli (2002), “Propor o desenvolvimento do design para a sustentabilidade significa promover a capacidade do sistema produtivo de responder à procura social de bem-estar utilizando uma quantidade de recursos ambientais drasticamente inferior aos níveis atualmente praticados”.

O design para a sustentabilidade está associado ao ciclo de vida dos produtos, conjunto de atividades e processos capaz de avaliar as consequências ambientais, econômicas e sociais desde a concepção de um novo produto até sua substituição.

As empresas encontram na natureza um fator de inovação, o que permite redirecionar suas estratégias, associando o respeito ao meio ambiente e aos cidadãos, criando valores que as diferenciam de seus concorrentes. As exigências ambientais estimulam os processos criativos e podem tornar viáveis as pesquisas em termos de novas funcionalidades e usos, tecnologias e materiais. Mesmo que de forma indireta, percebe-se uma crescente preocupação dos usuários, sensíveis às transformações do ecossistema e a herança de políticas ambientais extrativistas e poluidoras.