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Reciclar papel pode promover inclusão social nas escolas?

Projeto do Ifsc em parceria com a rede municipal vai além de promover educação ambiental
Reciclar papel pode promover inclusão social nas escolas?
Foto: Jessica Rosso
Por Jessica Rosso Em 03/12/2019 às 20:30

Mostrar a importância da reciclagem para o meio ambiente é uma tarefa que está longe de terminar. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) apontam em seu Panorama de Resíduos Sólidos do Brasil, que 68,1% das embalagens (papel, plástico, alumínio) que poderiam ter sido recuperadas em 2017, não foram.

E se existesse um projeto que trabalhasse não apenas a educação ambiental, mas a inclusão social? As etapas são simples, existem e são colocadas em prática em quatro escolas da rede muncipal de ensino de Criciúma, em parceria com o Instituto Federal de Santa Catarina (Ifsc). 

A coordenadora do projeto Luciléia Marcon explica que a atividade pode ser uma fonte de renda para algumas pessoas. Para o ano de 2020, já existe o planejamento para trabalhar o projeto com outras entidades, além das escolas. A demanda cresceu, segundo ela. "Já temos as demandas das escolas para o projeto dar seguimento, e além delas mais uma entidade. Também fizemos uma parceria com um asilo da cidade". A intenção, de acordo com a coordenadora, é dar mais ênfase à inclusão social. 

Outro ponto destacado por ela é que o projeto está vinculado ao programa Ifsc sustentável e à curricularização da extensão. "Isso é uma extensão com os cursos superiores de tal maneira que o aluno vá à comunidade, desempenhe sua tarefa já tendo essa ligação com o mercado de trabalho e também com essa parte de conscientização", relata. Os cursos envolvidos são o de Engenharia Civil, Engenharia de Mecatrônica e a Licenciatura em Química. 

A voluntária no projeto que ensina a reciclar papel, professora de matemática Dulcelena Pereira da Silva Vitoriano conta que a ideia foi implatada há três anos e funciona atualmente nas escolas Ludovico Coccolo, Érico Nonnenmacher, Jorge da Cunha Carneiro e Dionísio Milioli. Participam nove pessoas, que incluem duas bolsistas e sete servidores voluntários e do Ifsc.

O projeto consiste em trabalhar em sala de aula o processo de separar o papel colocando-o na caixa de material para ser reciclado, e posteriormente as etapas da reciclagem. Confira no vídeo a explicação realizada pela bolsista do Ifsc, Kallinnca Celarius Flor. O processo é o mesmo realizado com as turmas do 5º ano do Ensino Fundamental.  

Vídeo:

Conforme a professora Dulcelena Pereira da Silva Vitoriano, o processo da reciclagem de papel resulta também na criação de tangram, que é um material utilizado na disciplina de matemática.

As peças podem formar inúmeras figuras e ajudam no desenvolvimento do raciocínio e da criatividade.

O projeto tem como principal objetivo conscientizar os alunos sobre a importância da reciclagem, trabalhando o impacto que a falta dela causa para o meio ambiente. 

"Como já há no currículo que se deve trabalhar com a reciclagem, aproveitamos com essa parceria para mostrar como o processo funciona na prática, porque eles ficam curiosos em saber como funciona, como se faz esse papel. Não adianta só explicar e não fazer. Temos alunos que já fizeram em casa esse processo", conta.

Alunos e comunidade - Conscientização

O principal objetivo do projeto é conscientizar os alunos e também a comunidade. Conforme Luciléia Marcon, o projeto faz com que os alunos levem para casa informação, e com isso já divulgam "em primeiro lugar a importância de reciclar o papel, das vantagens de ter o reaproveitamento e não simplesmente usar. Então, o aluno começa a ter esse respeito de usar o papel dos dois lados, com cuidado. As próprias escolas fazem o trabalho ambiental, e esse projeto complementa a parte que elas fazem da consciência ambiental com os alunos", afirma.

O resultado é reaproveitado. "Em uma das escolas criamos um mural com o material reciclado que servirá como dilvulgação do projeto. O objetivo é que os alunos vejam o resultado do produto executado por eles na própria escola", ressalta. Por fim,  Luciléia relembra que fazer reciclagem é deixar de fazer um novo lixo.