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“É possível, mas não é provável”, diz oceanógrafo sobre óleo do Nordeste chegar a SC

Epagri/SC monitora a situação nos mares
“É possível, mas não é provável”, diz oceanógrafo sobre óleo do Nordeste chegar a SC
Foto: Adema/Governo de Sergipe
Por Amanda Garcia Ludwig Em 24/10/2019 às 14:59

Há mais de um mês os brasileiros acompanham as manchas de óleo que marcam as praias do Nordeste. Nos últimos dias, o óleo já chegou à Bahia, e não para de “descer” no mapa. Se existe a possibilidade de que ele chegue a Santa Catarina? Sim, mas esta possibilidade é muito remota.

O oceanógrafo e pesquisador Carlos Eduardo Salles de Araújo, que atua na Epagri/SC, explica que existe uma diferença entre o possível e o provável. “É possível que o óleo chegue a Santa Catarina, mas não é provável. Pode ter uma chance em um milhão”, afirma.

De acordo com Araújo, este fato seria improvável uma vez que o deslocamento deste óleo por via marítima terá uma degradação do material. Além disso, ele se deslocaria através da Corrente (marítima) do Brasil, que vem do Nordeste para o Sul do país. “Esta corrente lá no Nordeste fica mais próxima do continente, e aqui no Sul é mais distante. Além disso, existe o tempo de viagem. Se ele viesse em uma corrente expressa, como chamamos, demoraria cerca de dois meses. Até lá, o material já estaria degradado”, explica o oceanógrafo.

Além disso, considerando a possibilidade de que o óleo realmente chegasse em águas do Sul brasileiro, ele estaria muito longe da costa do país. “É uma probabilidade baixíssima. Ainda assim, estamos monitorando a situação. Ele continua descendo e já chegou a Morro de São Paulo, na Bahia”, destaca Araújo.

Através deste monitoramento, a Epagri avalia que se o óleo continuar descendo, poderia demorar cerca de 50 dias para chegar ao Sul. “Se este óleo chegar ao Rio de Janeiro, acendemos uma luz amarela. Se chegar a São Paulo e Paraná, passamos ao alerta laranja”, avalia o pesquisador.

Atividades econômicas do Sul não devem ser afetadas

O óleo acaba afetando - e muito - a vida marítima, e matando milhares de animais como peixes, tartarugas e golfinhos. No entanto, as atividades econômicas que envolvem o mar não devem ser afetadas no Sul, pelo menos nos próximos meses.

“Os mangues, por exemplo, são as áreas de reprodução de peixes menores. Então se o mangue é contaminado, os estoques peixeiros são comprometidos. Então isso gera problemas econômicos e sociais. Mas isso é uma realidade muito longe do nosso Estado. Não deve afetar. De qualquer forma, a Epagri continuará acompanhando a situação”, esclarece o oceanógrafo e pesquisador Carlos Eduardo Salles de Araújo.

Entenda o caso

As manchas de óleo têm poluído o litoral do Nordeste brasileiro desde o início de setembro. Ao longo do último mês, as manchas atingiram inúmeras praias de diversos estados nordestinos. Conforme informações da Agência Braisl, a Marinha informou que, até essa terça-feira, dia 22, foram recolhidas mais de mil toneladas de resíduos recolhidos das praias do Nordeste. De acordo com a instituição, desse número quase a metade teve a destinação final realizada.