Proerd na sala de aula, a prevenção contra o crime

Prevenção é a palavra chave do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). Em Criciúma, o projeto existe há 20 anos e, de acordo com dados da Polícia Militar (PM), mais de 50 mil crianças já se formaram no município. Atualmente, são atendidas mais de 30 escolas na cidade e cinco instrutores estão capacitados para trabalhar em salas de aula.

O Proerd é dividido em categorias. O programa atende estudantes dos 1º e 4º anos, através do Proerd Kids, e também os 5º e 7º anos, além dos pais. O foco principal do projeto, no entanto, são os alunos dos 5º anos. Isto acontece porque a Polícia Militar tem o objetivo de ensinar habilidades necessárias para os adolescentes, de forma que eles não se envolvam com o crime, além de evitar que os estudantes tomem decisões erradas com relação ao consumo de drogas e álcool.

Camila nascimento

Dados do projeto em Criciúma

50.093
alunos formados em 20 anos
2.504
alunos formados por ano
30
escolas atendidas em 2019
52
turmas atendidas atualmente

O que é o Proerd?

O Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) é um projeto onde policiais militares são treinados e - com material desenvolvido pelas Secretarias de Educação e de Segurança Pública - desenvolvem atividades nas salas de aula das escolas públicas e privadas. A ação é realizada uma vez por semana durante uma hora em cada turma, seja de 5º e 7º ano ou até mesmo para os pais.

O Proerd existe em diversos países, e chegou ao Brasil em 1992. Desde 1998 o programa está implantado em Santa Catarina, sendo Lages o primeiro município a recebê-lo. Há 20 anos, em 1999, o Proerd era implantado em Criciúma.

Em busca de prevenção aos alunos e mudando a vida dos instrutores

Atualmente, o 9ª Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Criciúma conta com cinco instrutores do Proerd. Eles são liderados por Maicon Sullivan Amaral Lemos. Ele explica que o programa não trata só de drogas e violência. “Tratamos da tomada de decisões dos alunos. Para os pequeninos, que conhecem o programa através do Proerd Kids, o ensino traz a questão de segurança pessoal: como segurar a mão do pai ao atravessar a rua, onde brincar e locais mais seguros, por exemplo. No 5º ano eles começam a entender a importância das escolhas, para que não se envolvam com droga, violência e coisas erradas perante a lei”, explica.

Há dois anos como instrutor do Proerd, Lemos acredita ser uma honra ter a oportunidade de trabalhar no programa. “Quando fiz o concurso da PM, nem sabia o que era o Proerd. Até mesmo quando entrei, eu não sabia o que era. Só sabia que tinha uma sala no batalhão para isso. Hoje em dia, temos uma relação próxima com as crianças. Mesmo sendo uma vez por semana, com a duração de uma hora, as crianças adoram. Nós não temos noção do que provocamos em uma criança. Sabemos que eles adoram o instrutor do Proerd, mas não sabemos até onde esse gostar de uma criança vai. Quando acontece a formatura e os pais falam conosco, eles dizem que só ouvem falar da gente. Isso é muito bom”, declara.

“Vejo como um programa que não vai acabar nunca, porque é uma questão de educação e prevenção. Nosso programa abrange mais de 260 municípios, então, esperamos um futuro melhor. Espero que o Proerd continue por toda a vida, porque alguém sempre vai necessitar de informação, especialmente naquela fase de descoberta, antes da adolescência. A gente ensina a tomar decisões responsáveis.”
Instrutor Maicon Sullivan Amaral Lemos
Maicon

Sullivan relata que em todas as escolas de Criciúma, os policiais do Proerd são bem aceitos:

Igor Miguel de Macedo está há 14 anos na Polícia Militar e há quatro virou instrutor do Proerd. Além de policial, ele é professor de matemática e por diversos anos lecionou em salas de aula para jovens e adultos. “Me arrependo de não ter entrado antes para o Proerd. No programa, as crianças me recebem com muito carinho, amam mesmo, ficam aguardando durante a semana a nossa aula. É muita diferença a recepção. Aqui em Criciúma a gente faz um revezamento de escolas. Procuramos dar aulas em todas as instituições. Nesses quatro anos em que faço parte do Proerd, já dei aula em quase todas as escolas da cidade”, conta.

Macedo lembra que o Proerd é diferente, já que as crianças e adolescentes estão acostumados com provas, cálculos, interpretações de textos. O programa não é assim. “Nossa aula tem várias dinâmicas, é mais divertida. Temos a caixinha do Proerd, uma caixinha de perguntas que eles fazem pra nós. Eles trabalham em grupos, em duplas, sempre tem algo diferente. A aula vai melhorando. No último dia estão tristes porque vai acabar. Eles ficam ansiosos pela formatura, que é um momento bem aguardado por todos”, ressalta.

O instrutor relata que os policiais são bem aceitos nas escolas tanto por alunos e pais quanto pelos professores e diretores. “Às vezes, uma criança ou outra tem algum preconceito, até por algum caso com familiar, mas com o decorrer das aulas eles vão se soltando, nos conhecendo, fazem as perguntas, coisas que eles não falariam em casa, tirando dúvidas. Não vejo distância com os alunos”, observa.

“Nossa prioridade é atender 100% as turmas do 5º ano. Em Criciúma, atendemos 100% delas. Notamos que isso é importante para os estudantes em relação à prevenção, mas é muito importante também para o município que recebe cidadãos sabendo que o crime é errado”.
Instrutor Igor Miguel de Macedo
Igor

Há 14 anos trabalhando como policial militar, Macedo afirma que existe uma diferença muito grande em relação a trabalhar nas ruas e em salas de aula. “Muda bastante. Na rua, sempre com ocorrência, no limite, pegando problemas. Na escola, a gente vê de outra maneira, tira aquele peso da rua e polícia, fica mais relaxado, mais tranquilo. Estamos fazendo a prevenção para que o pessoal que trabalha na rua não tenha esse problema lá na frente”, pontua.

Macedo admite que algumas crianças sentem falta dos pais e é enfático neste aspecto.

Um novo ser humano

Maicon Matias atua no Proerd há dois anos e é policial há seis em Criciúma. Antes de ser instrutor do programa, trabalhava nas ruas como tantos outros PMs. Ele estava cansado da carreira e viu no Proerd uma opção de mudar sua história dentro da Polícia Militar.

“A princípio, foi curioso. Nunca tive essa pretensão de virar instrutor, apesar de ter jeito com crianças. Eu trabalhava na rua, estava fatigado com a profissão, e surgiu a oportunidade do Proerd. Fui procurar para ver se me adaptava de alguma maneira. Fui sem maiores pretensões, como um estágio para voltar à atividade normal. Fui me adaptando, me identificando com as crianças, muitas de áreas carentes, que não possuem o policial como um espelho. Foi nesse dia a dia que fui gostando do Proerd. Estou contente com a área em que atuo”, explica.

Matias relata que cada instrutor enxerga o programa de uma maneira e que quando passou no concurso, não se via atuando no Proerd. “Eu sempre tive a visão da parte operacional na rua, tanto que gostava e vim para a polícia por isso. Quando fui pro Proerd, houve um choque no começo, pelo perfil diferente, mas fui me encontrando e me enxergo como bom professor. O serviço é gratificante, mais do que na rua, porque você ganha o abraço de uma criança. Eles têm confiança de contar coisas sérias para a gente. Me identifico como um policial. Não me vejo em outro local na polícia. Gosto do que faço hoje e é gratificante”, afirma.

“Como instrutor e policial, posso dizer que o Proerd mudou minha vida como pessoa, como ser humano. Quando entrei, era uma pessoa, agora, sou outra pessoa, mais humano”
Instrutor Maicon Matias
Maicon

Matias afirma que em alguns locais, os instrutores encontram dificuldades. “Encontramos certa resistência da criança por ter a cultura de não gostar da polícia. Isso acontece porque a PM 'entra' em suas vidas nas parte mais truculenta. Muitos deles têm os pais presos, alguns tem a visão de que aquele traficante tem a vida que eles querem ter no futuro, com a vida fácil, dinheiro fácil. Quando chegamos, há um choque de cultura. Com as aulas do Proerd conseguimos quebrar essa visão e muitos deles já falam que querem ser policiais. Conseguimos transformar. Temos essa oportunidade de levar a outra visão. Os próprios pais conseguem ver isso, enxergar que é uma oportunidade diferente, trazendo um conteúdo bom”, pontua.

O instrutor relata que alguns alunos acabam contando problemas de casa para os policiais. “A gente sempre conversa com a criança, mas pede para alguém da escola estar junto. A parte do aconselhamento a gente dá. Em alguns casos mais sérios, a gente procura levar para a direção do colégio, depois conversar com nosso superior para tentar intervir e a gente também está ali para esse tipo de coisa. Como professor do Proerd, você pode dar essa ajuda”, comenta.

O primeiro dia de aula: uma marca eternizada

O instrutor Maicon Matias lembra que a primeira aula foi bastante marcante, mas pelo nervosismo. “Não sabia o que falar, apesar de ficarmos 15 dias em um treinamento intensivo, com a parte pedagógica e psicológica. Mas ali é diferente, é cara a cara com a criança e dá mais medo ainda encarar aqueles pequenos do que em uma ocorrência mais grave, trocar tiro ou outras coisas. Fiquei muito nervoso, mas, com o passar do tempo, você recebe o carinho da criança, aquela capa de durão que a rua deixa na gente, cai. Você muda e começa a criar amor pelas crianças e pelo programa. Você faz até um sacrifício a mais”, conta.

“Esse carinho que a gente tem com a criança passa até da barreira do policial, uma coisa que toca. A gente acaba ficando mais humano com essa aproximação com os alunos”.
Instrutor Maicon Matias
Camila
Maicon Matias
Foto: Instrutor Maicon Matias

Os alunos passam meses com os instrutores e isso faz com que toda família se envolva com o Proerd. “Nas formaturas, os pais nos procuram e falam que os filhos só falam dos instrutores e do Proerd. Houve até o caso de um pai que tinha uma reunião em Las Vegas pela empresa e ele cancelou a reunião de tanto que o filho incomodou para ele ir na formatura. O próprio pai entra nesse clima que envolve família, polícia e professores”, explica.

Matias relata que alguns momentos dentro da sala de aula marcaram a vida dele. Uma surpresa dos alunos em 2018, o deixou sem palavras.

“Todos notam diferença em mim. Não só a família, mas até os amigos. Todos comentam de maneira benéfica. E eu sei ver isso, estou mais aberto para compreender o sentimento alheio. Tem sido mais gratificante a mim do que às crianças”.
Instrutor Maicon Matias
Camila

As mulheres aliadas ao Proerd na prevenção

O Proerd conta com cinco instrutores, sendo que duas são mulheres: Mirella Mateus da Rosa, que está há dois anos no programa, e Emily Carvalho de Souza, que atua há um ano em salas de aula.

Mirella lembra que sempre almejou atuar no Proerd, pois já conhecia o programa. “Na época de curso, uma das disciplinas tem o Proerd. O que aprendi me instigou. Quando me formei, trabalhei em Urussanga e lá surgiu a oportunidade de fazer o curso. Me formei, trabalhei seis meses em Urussanga e surgiu a oportunidade de trabalhar em Criciúma. Faz um ano e meio que dou aula aqui na cidade”, conta.

Camila nascimento
Foto: Instrutoras Mirella e Emily

Assim como Macedo, Mirella também já lecionou e isso facilitou trabalhar em salas de aula. “Antes de entrar na polícia, trabalhei quatro meses como professora, então, tinha um pouco de noção. Não sabia se iria continuar, mas encontrei no Proerd essa oportunidade de fazer aquilo que gostava de fazer. As pessoas até perguntam se sou da Polícia Militar ou do Proerd. Eu sou policial militar e trabalho com o Proerd. É muito bom juntar as duas coisas, trabalhando em um programa de prevenção na profissão que escolhi pra mim”, afirma.

A instrutora comenta que a recepção dos alunos é algo incrível. Além disso, ela explica que se sente realizada por estar lecionando e ajudando a formar cidadãos de bem. “É muito gratificante ser bem recebido. As crianças gostam da gente, policial é uma imagem diferente. Algumas ficam assustadas no começo, mas vamos conversando, criando laço de amizade. É importante enxergar nos olhos delas como os nossos heróis”, pontua.

Mirella relata que em alguns bairros marcados pela vulnerabilidade social existe, sim, um preconceito com a Polícia Militar, mas que nunca passou por uma situação constrangedora por chegar ao local em uma viatura. “Sempre fomos bem aceitos na escola. Tem alguns casos de crianças que sinto afastamento, receio. Acredito que seja pelo que escutam da polícia, mas já teve um aluno que nunca foi pra aula do Proerd porque não queria fazer essa aula. Ele nem conheceu, mas acontece. São raros os casos, mas acontece. De maneira geral, somos muito bem aceitos. Gostamos de trabalhar em todas as escolas, cada uma tem sua peculiaridade. Trabalhamos muito bem e até hoje não tivemos grandes problemas”, declara.

Camila nascimento
Foto: Mirella Mateus da Rosa
“Acredito que o Proerd dá certo, faz a diferença. Quando assumimos o serviço, sempre comentamos que sabemos que não atingiremos todos, mas se a gente atingir uma pequena parte, já ganhamos o dia. É um programa que faz a diferença. Acho que é importantíssimo falar da prevenção contra as drogas e da violência dentro das salas de aulas”.
Mirella Mateus da Rosa
Mirella

A instrutora relata que o curso de formação do Proerd já faz com que os policiais tenham uma visão diferenciada da própria instituição e dos alunos.

De aluna para instrutora do Proerd

Emily Carvalho de Souza está há dois anos na Polícia Militar e é instrutora desde maio de 2018. Ela fez o Proerd e lembra que ao passar no concurso, já pensou em entrar no programa. “O meu instrutor era meu vizinho. Quando passei no concurso, contei pra ele, me deu dicas e assim que entrei na corporação, era uma das coisas que tinha interesse em fazer. O Proerd foi uma das primeiras coisas que fez com que eu me identificasse na instituição porque tenho uma lembrança muito boa da sala de aula”, conta.

Ela afirma que trabalhar nas ruas e no Proerd é bem diferente, mas que nas salas de aula também existem problemas. “Temos outros tipos de problemas que precisamos resolver, mas a adaptação até que foi tranquila porque sempre gostei de conversar com os outros, de ajudar e lembro muito do Proerd de quando era criança. É diferente você lidar com uma pessoa adulta e lidar com crianças. Tem que tomar cuidado com o que fala, o entendimento é diferente, eles levam tudo ao pé da letra. Às vezes, uma brincadeirinha que fazemos entre adultos não dá pra fazer com as crianças. Mas sempre me dei bem com crianças e eles também gostam bastante de mim. É uma coisa divertida o convívio”, ressalta.

Camila nascimento
Foto: Emily Carvalho de Souza

Emily afirma que amadureceu muito desde que virou uma instrutora do Proerd e que sua história de vida mudou.

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Áudio Emily Carvalho
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“A gente sempre chega tentando quebrar essa ideia que eles têm, explicar que não precisa ter medo, que a polícia vem para ajudar. Devagarinho, vamos conversando com eles. Depois que quebramos o gelo inicial, eles são muito carinhosos. Tive alunos de bairros vulneráveis onde eu era muito bem recebida”.
Instrutora Emily Carvalho de Souza
Camila

A policial comenta que as crianças precisam de carinho e atenção. Ela lembra que muitas vezes os instrutores passam tarefa para os pais fazerem junto com os filhos, mas isso não acontece. “Lembro que pedi exercícios para casa e dois alunos não fizeram a tarefa. Pedi para avisar em casa, chamar o pai para a tarefa. Na aula seguinte perguntei sobre a tarefa, eles falaram que não fizeram. Um outro aluno perguntou se o pai havia brigado e ele confirmou que sim. O outro disse que o pai nem deu bola, que o pai não ligava pra ele. Isso me marcou bastante, porque o aluno não fez a tarefa e o pai não chamou sua atenção. É algo preocupante. Mas vamos conversando e tentando ajudar os alunos”, finaliza.

Proerd: há 20 anos formando novos cidadãos

Bruna de Souza, de 30 anos, atualmente é personal trainer, mas há 20 estava no Ensino Fundamental. Na escola Humberto de Campos, localizada no bairro Pio Corrêa, em Criciúma, ela fez o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). O primeiro encontro com os policiais militares, em 1999, foi algo que marcou sua vida. “Faz 20 anos que me formei no Proerd, mas existem detalhes que fazem a diferença em minha vida, mesmo depois de tanto tempo. Ainda lembro, por exemplo, de alguns ensinamentos que trouxe comigo por todos esses anos, como a disciplina. Hoje, trabalho com alunos também, claro, de forma diferente, em uma academia, mas preciso que eles tenham disciplina. Com conversa, tentando explicar, assim como foi explicado para mim há 20 anos, consigo arrancar de cada um o seu melhor”, afirma.

A personal trainer guarda em casa com carinho suas fotos com o uniforme do Proerd. “Em 1999, não existiam câmeras digitais, né? Então, as imagens eram reveladas e minha família fez questão de revelar todas. Hoje, tenho guardadas as fotos do desfile do 7 de setembro, que na época acontecia na avenida Centenário, e naquele ano desfilei com a camisa e também com o boné do Proerd. São momentos marcantes e que estão guardados em minha vida. Acredito que os meus sobrinhos, afilhados e até mesmo quem sabe meus filhos participarão do programa. Com isso, o Proerd passará de geração em geração na minha família”, comenta.

Bruna de Souza
Bruna de Souza

O jornalista Mateus Mastella, de 26 anos, também foi aluno do Proerd. Ele participou do programa em 2006 na escola Escola Básica Serafina Milioli Pescador, no bairro Operária Nova.

“Já são 13 anos que estudei no Proerd. Mas lembro dos policiais entrando em sala de aula e conversando conosco. Naquela época, não tínhamos tanto acesso aos trabalhos da instituição e por isso era tão impactante ver alguém de farda. Mas hoje é totalmente diferente”, explica.

Mastella lembra da canção do Proerd e também dos ensinamentos passado pelos policiais. “Ficava cantando a música do programa o dia inteiro. Meu instrutor falava bastante sobre a prevenção das drogas e que não deveríamos nos envolver com entorpecentes. Foi algo que marcou bastante minha vida porque na época ninguém falava desse assunto comigo. Acho que 20 anos de Proerd ainda é pouco, esperamos que o programa chegue aos 50 anos”, declara.

Aos olhos dos comandantes, o Proerd é a diferença dentro da Polícia Militar

O comandante da 6° Região de Polícia Militar (PM), coronel Cosme Manique Barreto afirma que o Proerd é um programa que faz a diferença na vida dos alunos e também das famílias. “O programa vem com o discurso de mudança. Tentamos passar que fora do eixo estão as pessoas que usam drogas. Buscamos trazer motivação às crianças e mostrar o que é certo e errado”, declara. “Na minha opinião a principal função do Proerd é a quebra do paradigma da farda da polícia. Hoje, os primeiros formados já estão com seus 30 anos e com aquela convivência com os policiais eles começaram a visualizar a instituição Polícia Militar com outros olhos. O Proerd fez com que a sociedade se aproximasse mais da Polícia Militar. O programa traz harmonia entre população e instituição”, acrescenta.

“As crianças enxergam nos policiais uma segurança e proteção. Hoje, os pequenos são que se aproximam de nós”.
Coronel Cosme Manique Barreto
Camila

Para o coronel Barreto, o Proerd será eterno, pois os números são positivos e a sociedade já se acostumou com o programa. “Muitas vezes, prefiro tirar de circulação uma viatura e não um instrutor Proerd. Vejo que o programa só tem a progredir. Tendo possibilidades, nós vamos ampliá-lo sim”, afirma.

Camila
Foto: Coronel Cosme Manique Barreto, instrutores e tenente-coronel Cristian Dimitri

De acordo com Barreto, o Proerd é um programa que chegou para ficar e ser melhorado a cada dia.

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Áudio Barreto
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Para o comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade, o Proerd é um programa de sucesso entre os estudantes, estabelecimentos de ensino, professores e as famílias. O programa forma uma tríade entre polícia, família e escola e ficam todos em sintonia. “O policial militar não vai lá, ministra o Proerd e vai pra casa. Quando ele vai lá, faz a instrução, o aluno recebe o conhecimento e depois volta pra casa com a apostila e tem tarefas para fazer com os pais. Por isso, o programa também envolve a família”, analisa.

Segundo o comandante, o aprendizado faz com que os alunos fiquem longe das drogas, a resistir a pressões de certos grupos. “Se a gente conseguir com que uma criança a cada 20 ou 50, se conscientize, já colhemos bastante frutos. O instrutor é capacitado para aquilo. Não podemos mentir para a criança dizendo que ela vai morrer se fumar maconha. Mas podemos avisar sobre os malefícios de usar drogas. A bebida, que o pai toma, socialmente ele vai acabar tomando, então, a criança sabe, está informada, tem a internet e o mundo globalizado. O estudo é direcionado para que a criança se conscientize mesmo, com os perigos que causa, dos malefícios, dos grupos de risco. Se ganharmos em parte dessas crianças, serão colhidos bons frutos”, admite.

“Em Criciúma, é um sucesso porque nestes 20 anos foram formadas mais de 50 mil crianças. Tem uma média catarinense: a cada sete catarinenses, um fez o Proerd. Aqui, a média é mais baixa: a cada quatro ou cinco fizeram o Proerd”.
Tenente-coronel Cristian Dimitri Andrade
Tenente

O tenente-coronel relata que cada formatura do Proerd é um momento importante, tanto para as crianças quanto para os policiais.

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Áudio Dimitri 03
1:14 min

Ensinamentos atuais que serão guardados para sempre

Maria Laura Rabello, de 12 anos, se formou no Proerd em 2017. Ela estuda na escola Professor Vilson Lalau, no bairro Cristo Redentor. “Meu instrutor foi o sargento Cunha. Ele falou muito sobre prevenção. Aprendi muito sobre como lidar com situações difíceis, como drogas. Ele também nos passava tarefas para fazer com a família”, conta. A adolescente lembra que recentemente esteve na formatura do Proerd de uma prima e foi cumprimentar seu instrutor. “É algo que marcou bastante minha vida. Vi ele e quis agradecê-lo e também fazer uma foto com ele para ter de lembrança para a minha vida. As aulas do Proerd são muito legais, porque quebram o conteúdo que temos todos os dias. Foi algo que marcou minha vida escolar e espero fazer também no 7º ano”, finaliza.